Especulação sem fronteiras

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O pregão de Xangai caiu ontem 4%, foi o suficiente para que as bolsas européias, norte-americanas e latinas despencassem como num efeito dominó. É a especulação sem fronteiras, num mundo em que a globalização corre solta e os que querem ganhar dinheiro, especialmente nos chamados mercados emergentes, fazem grandes jogadas, que derrubam pequenos e médios investidores e fazem com que o mercado de capitais viva dias de montanha-russa. Bastou a bolsa chinesa cair para que todos imaginassem que o ritmo de crescimento chinês estava desabando e com ele a economia mundial como um todo, capitaneada pelos Estados Unidos..

O ex-presidente do FED, o Banco Central dos Estados Unidos, Allan Greenspan, deu sua contribuição ao afirmar, em entrevista a importante jornal do seu país, que os Estados Unidos poderiam viver novo período de recessão. Pronto. Somada uma informação com outra, os analistas começam a agir e investidores de grande porte, que vivem da especulação, retiram o dinheiro de um mercado e correm para o que Greenspan sempre diz ser um vôo seguro: os título da imensa dívida pública americana, o que faz elevar o valor do dólar em outros mercados.

Esses investidores ficam nessa aplicação que dá menos, mas é segura, por algum tempo. Depois, como querem um rendimento maior sobre esse patrimônio líquido (é dinheiro vivo), voltam a arriscar em novos mercados, especialmente os emergentes, onde se encontra a bolsa de Xangai.

São papéis que podem dar muito dinheiro. Mas o efeito disso é sempre devastador, quando o investimento que permitiria à empresas crescerem, sai pelas portas do fundo, sem aviso prévio.

Hoje, o mercado acompanha apreensivo, aquilo que mexe com todos os cidadãos. As empresas mais maduras seguem o seu ritmo, sabem que ninguém vai deixar de usar serviços essenciais nem de consumir o que é essenciam, mas também se abalam por força dos movimentos de investidores e o temor que se espalha entre os pequenos e médios que têm, nas ações a sua poupança..

Para analistas, alguns de formação duvidosa, trata-se de um fenômeno chamado “precificação”, uma palavra que nem existe, mas quer dizer que o preço da ação estava alto demais e precisava chegar à realidade e o mercado decidiu dar aos papéis um preço justo,  derrubando-os ou, em alguns casos, elevando-os. A palavra “precificação” nem existe, mas quem disse que muitos desses analistas sabem alguma coisa de gramática ou vocabulário? Nem adianta o brilhantes Rolf  (editorialista do Estadão) se remoer com tais usos indevidos da língua portuguesa. Os analistas são como “cassandras”, ouvem as mais respeitadas e venenosas do mercado e saem repetindo, muitas vezes sem o saber o que estão falando.

Certa ocasião, e já se foram quase dez anos, Carlos Ivan Simonsen Leal, no comando da Fundação Getúlio Vargas (FGV), me confessou que tinha um certo medo de muitos dos alunos que estavam freqüentando os bancos da instituição de ensino porque estes eram tão avoados e tão repetidores de fórmulas prontas que qualquer dia acabariam por decretar o fim do emprego e do trabalho, até perceberem que eles próprios não teriam mais utilidade.

Quando cai a economia real por força da especulação, o resultado é sempre dramático. É esperar para ver.

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