FLIP 2015: MOMENTO INESPERADO E SUBLIME

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“Inesperado e sublime”. Assim o escritor paulista João Carrascoza definiu o encontro com crianças das comunidades de Mamanguá e Paraty Mirim, que fizeram uma releitura, com trabalho artísticos, de seus livros: O Prendedor de Sonhos e O Homem que Lia as Pessoas. “A gente foi a um encontro com alunos em uma escola num lugar tão distante, você não imagina que o seu livro vai chegar lá, mas ele chegou, as crianças leram, se alimentaram do livro, te retornando com ideias sobre a história.”

 

Por Akemi Nitahara/Repórter da Agência Brasil

João Carrascoza tem mais de 30 livros publicados e coleciona prêmios literários, entre eles um Jabuti. Ele é um dos autores que participam da Flipinha, programação infantil da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), e que teve obras selecionadas para serem trabalhadas nas escolas da região. “A gente saiu muito cedo para um encontro que supõe que vai ser bom, mas ele é muito maior do que a própria imaginação nossa como escritor”.

Como parte da Operação Flipinha, autores convidados participam de encontro com alunos de escolas públicas. O escritor João Carrascoza visita a escola municipal Domingos Gonçalves de Abreu (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Estudantes apresentam  na  Flipinha  trabalhos  artísticos baseados em obras literárias. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A visita realizada no último dia 3, em Paraty, foi o desfecho do projeto que começou há três meses, com a escolha e distribuição dos livros aos professores para trabalharem com os alunos. A secretária municipal de Educação de Paraty, Eliane Tomé, disse que, desde o começo, em 2003, a Flip promove o incentivo à leitura com projetos de formação de acervos nas escolas e nas comunidades e treinamento de professores.

De acordo com a secretária, este é o terceiro ano em que é feito encontros dos estudantes com os autores. “Fazemos a compra de todos os livros do acervo, o professor vai fazendo o trabalho e durante esta semana, distribuímos os locais a que cada um vai. Nas escolas, os alunos já ficam esperando esses autores.” Eliane ressaltou que, depois das ações da Flip, já é possível perceber o maior interesse das crianças pelos livros, refletindo inclusive na melhora das notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Como parte da Operação Flipinha, autores convidados participam de encontro com alunos de escolas públicas. O escritor João Carrascoza visita a escola municipal Domingos Gonçalves de Abreu (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Carrascoza  considerou  “sublime”  visita  à  escola que   fez  releitura  de  seus  livros. Foto: Tânia Rêgo/ABr

O coordenador do Programa Prazer em Ler, que apoia as ações da Flipinha desde 2009, Volnei Canônica, informou que em Paraty as ações são desenvolvidas o ano inteiro. “A literatura não pode ser um evento, a literatura tem que ser algo permanente, para que possamos realmente desenvolver um processo leitor, desenvolver o gosto da leitura nos novos e nos leitores de sempre.”

Em Paraty Mirim, a professora Laís Rodrigues dos Santos trabalhou os livros O Prendedor de Sonhos e O Homem que Lia as Pessoas, de Carrascoza, com seus alunos. “Nós fizemos um momento de leitura, depois surgiu a ideia de construir essa máquina dos sonhos para cada um colocar ali dentro os seus sonhos.” Laís considerou o encontro com Carrascoza fundamental para o desenvolvimento cultural de seus alunos.

Vitória Valentim Leal, de 10 anos, ajudou a construir a máquina de sonhos, feita com uma caixa de papelão e outros materiais recicláveiss. “Minha amiga me ajudou a fazer, fizemos muitas coisas, ficamos pensando, pensando e, no dia, conseguimos fazer, terminar. Graças a Deus, conseguimos, se não não estaríamos assim. Meu sonho é ser bailarina.”

Como parte da Operação Flipinha, autores convidados participam de encontro com alunos de escolas públicas. O escritor João Carrascoza visita a escola municipal Domingos Gonçalves de Abreu (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O escritor João Carrascoza, em visita a Escola Municipal Domingos Gonçalves de Abreu. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Luara Mariana Cândido, de 9 anos, leu O homem que Lia as Pessoas e achou muito legal. “Eu tinha uma dúvida sobre o livro: por que ele não fez o final feliz? O personagem passeia com o pai e o pai dele morre em um acidente de ônibus. Fiquei com curiosidade de perguntar para o autor o porquê”. Carrascoza explicou que momentos tristes fazem parte da vida e que as crianças não podem ser poupadas deles para sempre.

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