O corintiano Washington Olivetto

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O paulistano Washington Olivetto, de 54 anos, está feliz da vida. Ele conseguiu, depois do seqüestro em 2002, voltar a criar e a incluir músicas que estavam nas portas restantes dos armários nas paradas de sucesso, embalando belas campanhas da Rider, se é que um chinelo de polietileno possa ser belo. Foi assim com a gravação de “Vamos fugir”, do ministro da Cultura Gilberto Gil, pelo conjunto mineiro Skank; e “Além do horizonte”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, que ganhou eleitura da banda Jota Quest. Tudo para o produto plástico da rendene ter um pouco mais de bossa. Melhor: a turma mineira do Skank acabou ganhando prêmios com o remake, nem tanto pelo barulho de suas guitarras, mas também pelo o que fez Olivetto, nos bastidores, falando como nunca de como a canção ganhou roupa nova e pedindo a amigos para divulgá-la nas rádios.

Esse publicitário sempre seguiu a máxima de que um ovo de galinha é sempre mais lembrado do que um ovo de avestruz porque esta alardeia o seu feito, ao contrário da outra ave que enfia a cabeça no chão, envergonhada do tamanho do ovo que botou.

É o que justifica seu enorme esforço em ser veículo da propaganda, ou melhor, a cara da propaganda brasileira, com suas gravatas coloridas e cabelos propositalmente revoltos – as primeiras ele trocou por camisetas despojadas, até porque saíram de moda e Olivetto não admite não ser cool.

Libriano e corintiano, esse colecionador de 54 leões do Festival
Internacional de Publicidade de Cannes, o mais prestigiado da publicidade mundial, e o Grand Clio deste ano adora fazer balanços orgulhosos da sua carreira, especialmente quando se vê rodeado de amigos. Ele lembra, particularmente, início de carreira, aos 18 anos, como estagiário na criação da HGP – Harding Gimenez Publicidade.
Foi parar ali, depois de tentativas frustradas na música – estudou acordeão no Conservatório Heitor Villa-Lobos dos 6 aos 11 anos – e no basquete, onde a altura, 1,62 metro, conspirava contra essa pretensão.

Da HGP foi para a Lince, quando esta se fundiu com a Júlio Ribeiro,Mihanovich, dando lugar à Casabranca, onde ficou dois anos até chegar à DPZ, em 1973. A agência que carrega no nome, ainda hoje, o prestígio de Roberto Dualibi (D), Francesc Petit (P) e José Zaragoza (Z), abriu espaço para a criatividade de Olivetto.
Nela criou, ao lado de P e Z, campanhas memoráveis da propaganda brasileira, a começar pelo garoto da Bombril, o ator Carlos Moreno, e seus inúmeros tipos. Foi a Cannes e começou a ganhar leões. Mais: seu nome passou a ser tão respeitado quanto o dos patrões, que ainda hoje são sinônimo de criação publicitária e de boa propaganda.

Olivetto nunca escondeu, mesmo que com disfarçada timidez, que gostou desse brilho que a profissão lhe proporcionava nessa fase e não negou fogo nem lenha nessa fogueira de vaidades, em que publicitários começaram a se tornar celebridades no País, como artistas e milionários. Tornou-se referência em assuntos de publicidade, trabalhando muito, criando e curtindo o filho, Homero, de Luiza Olivetto.

O grande salto

Em 1986, o criativo publicitário que atendia os melhores clientes da DPZ, deu início a um processo com o qual muitos publicitários ainda sonham: abrir a sua própria agência. Naquele momento, associado ao grupo suíço GGK, cujo controlador conheceu em Cannes, e os amigos Javier Ciuret e Gabriel Zellmeister.
Nascia assim a W/GGK, mas por pouco tempo, pois em 1989, com os sócios,compraria, por valor não revelado, a parte da GGK, dando início à W/Brasil.

“No início, muitos me criticaram pelo nome, pelo fator verde-amarelo, que lembrava campanhas da época da ditadura, mas eu queria fazer propaganda brasileira, com cara de Brasil e, hoje, todos entendem isso”, disse.

E mostrou essa visão em outdoor na cidade, após a W/Brasil conquistar o Prêmio Caboré como Agência do Ano em 2001: uma imensa bandeira brasileira dependurada no anúncio da premiação.
Olivetto gosta de falar das inovações de sua agência, a W/Brasil: “Quebrei as paredes e muitos depois seguiram. Abri a agência e outros seguiram.”

Leia-se o baiano Nizan Guanaes, que deixou a DPZ pela W e esta para a sua DM9, que ganhou a parceria do grupo americano DDB logo de saída.

“Fui o primeiro a valorizar a música brasileira na publicidade e outros vieram depois. Dei uma festa imensa, coisa que hoje todos fazem.” A festa até hoje lembrada por muitos foi em comemoração aos dez anos da W/Brasil em 1996, que reuniu 10 mil pessoas no ginásio do Corinthians, que sacudiram os esqueletos ao som de Lulu Santos, Paralamas do Sucesso e Jorge Benjor.

Democracia corintiana

Com o jogador Sócrates, presença constante nas rodas de amigos de Olivetto, ele assumiu o desafio em 1982 de reformar o time de futebol de seu coração, o Corinthians, cunhando a expressão “democracia corintiana” e dedicando noites de sono a pensar no clube.
Amigos como José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e José Vitor Oliva, endossam o esforço de Olivetto em tudo o que faz.
Além dos gramados, onde a “democracia corintiana” se espalhou, Olivetto continuou criando.Entre as criações que caíram no gosto popular estão o cachorrinho da Cofap e os garotos DDDs da Embratel, aqueles gordinhos e chatos, mas que têm alto índice de lembrança entre o público.

O amante do filme italiano “Nós Que Nos Amávamos Tanto”, de Ettore Scola,também gosta de beber e comer bem. A paixão pela bebida pode ser vista, por poucos, no andar do prédio em que mora nos Jardins, inteiramente dedicado ao salão e ao bar e à cozinha, onde recebe as pessoas. Os dormitórios ou a chamada parte íntima, ficam em outro andar.

O publicitário também não dispensa a comida do Antiquarius, mas prefere a companhia, em casa, dos amigos e de Patrícia Viotti, da Conspiração Filmes, atual companheira e mãe dos seus filhos gêmios, Theo e Antonia.

Nas férias, especialmente no meio do ano, quando o verão e o Festival de Cannes invadem a Côte d’Azur, Olivetto passa os dias ensolorados em Cap d’Antibes, onde mantém residência. Se a agência vai bem no festival, basta um pulo de menos de 40 minutos para que o publicitário ponha os pés no famoso salão dos festivais de Cannes.

O publicitário que se banha antes de sair de casa com a colônia Pour Monsieur, da Channel, garante que aprendeu a escrever melhor depois de ler o livro “O Apanhador No Campo de Centeio”, de J.D. Salinger. Amante da velocidade, também adorava passear pela cidade a bordo do seu Porsche Carrera.

E se Olivetto já vinha numa fase mais caseira dois anos antes de ser sequestrado e passar 53 dias em cativeiro, incluindo o Natal e Ano Novo, da passagem de 2001 para 2002, alguns desses hábitos visíveis, como os passeios de carro, hoje são coisa do passado.
Mas Olivetto continua a criar e a surpreender. Em abril e 2006, esbanjou vitalidade com a anunciada volta de Carlos Moreno ao papel de garoto Bombril, que este náo conseguiu transferir para a Fininvest. Com Grendene, também têm surpreendido e seu último filme Gisele Bündchen nua em pêlo para anunciar as sandálias ainda fez suspirar muita gente.

Para Olivetto, a publicidade é isso: a capacidade de surpreender pessoas e isso ele garante que em 54 anos de vida, aprendeu. Agora, quem o surpreende são os filhos gêmeos e ele está reaprendendo a criar com Theo e Antonia. É aguardar para ver um Olivetto muito mais terno e bem mais alegre e de bem com a vida.

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