Inclusão digital muda a vida de jovens

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A Agência Brasil foi conferir de perto a experiência de jovens que encontrarão mais que uma profissão, o sustento, transformando antigos computadores em novos, prontos para o projeto de inclusão digital do governo federal. É uma bela iniciativa, que deveria se propagar por outras regiões do País. Veja:

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Foto de Antonio Cruz/ABr

Brasília – O conserto de computadores tem mudado a rotina de jovens carentes do Distrito Federal. Desde o início do ano, 28 jovens do Gama, cidade que fica a 30 quilômetros de Brasília, e de outras regiões próximas a capital federal trabalham na recuperação de computadores, monitores, impressoras e teclados no Centro de Recondicionamento de Computadores do Gama.

A estudante Fabiana Alves, de 16 anos, participa do projeto. Ela trabalha quatro horas por dia configurando microcomputadores e montando equipamentos e recebe uma bolsa de R$ 300 por mês,dinheiro que reforça o orçamento da família. Após o concluir o curso de seis meses, Fabiana disse que pretende continuar na área de informática. “Eu sempre tive vontade de fazer curso de configuração e saber sobre as peças. Na universidade, estou pensando em cursar sistemas de informação”, disse.

O centro faz parte do Projeto Computadores para Inclusão Digital, do governo federal, e tem a parceria da Fundação do Banco do Brasil, Associação de Apoio a Família, ao Grupo e a Comunidade (Afago-DF), Cobra Tecnologia e da organização não-governamental Programando o Futuro. Órgãos públicos e empresas privadas doam computadores usados para o centro. Depois de consertados, os equipamentos são doados para bibliotecas, escolas, telecentros e outros projetos de assistência social.

De acordo com o professor Vagner Simion, de cada três computadores recebidos um é recuperado. Em média, os alunos consertam 15 a 20 computadores por dia. O centro já recebeu 1.061 equipamentos e 72 já foram remontados. Se o computador recauchutado fosse vendido no mercado, o preço iria variar entre R$ 400 e R$ 500, segundo Simion.

Além da turma que reconstroí os computadores, outros 100 jovens frequentam o curso básico de software livre. Simion diz que esse tipo de curso não é comum no Gama e nas cidades próximas e custa cerca de R$ 1.500 no mercado. “O entusiasmo deles é fator fundamental para o centro. É muito bom trabalhar assim”, ressalta, acrescentando que 700 pessoas estão na fila de espera para estudar e trabalhar no centro.

Para o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, o computador remontado não perde em qualidade para um novo. “Os equipamentos não vão ser doados com baixa qualidade de aproveitamento, disse. A fundação investiu R$ 1,9 milhão para reforma do prédio do centro e o custo do primeiro ano de funcionamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou esta semana o centro e assinou decreto para que todo material usado pela administração federal, como computadores, sejam reaproveitados.

O interessado em matricular-se no curso deve acessar a página na internet www.crcgamadf.org.br. Quem quiser doar equipamento pode enviar e-mail para [email protected]entrar em contato pelo telefone (61) 3484-5691. Já os interessados em receber os computadores restaurados devem preencher formulário www.governoletronico.gov.br.

 

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