O templo da leitura

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O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro possui a maior e mais valiosa biblioteca de obras portuguesas fora de Portugal, com cerca de 350.000 volumes. É uma instituição oferecida pela comunidade portuguesa ao Brasil, como prova de reconhecimento. A biblioteca é pública e funciona de 2.ª a 6.ª das 9 às 18 horas. O Real Gabinete edita a revista Convergência Lusíada, publicação semestral e promove cursos sobre Literatura, Língua, História, Antropologia e Artes, destinados principalmente a estudantes universitários.

Um Pouco de História

 

O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro é considerado o primeiro núcleo associativo da colónia portuguesa no Brasil. Foi criado por iniciativa de refugiados políticos, reunidos como sócios instituidores, em número de 43.
A 14 de Maio de 1837, data oficial de fundação da entidade, foram aprovados os seus estatutos, tendo sido o seu primeiro presidente José Marcelino da Rocha Cabral.

Em 1880, por ocasião do tricentenário da morte de Camões, ocorreu a cerimónia do lançamento da primeira pedra da sua sede (D. Pedro II lançou a pedra fundamental), em estilo neomanuelino, projectado pelo arquitecto português Raphael da Silva e Castro.  O edifício foi inaugurado em 10 de Setembro de 1887 pela Princesa Isabel e o Conde D’Eu. Na ocasião, o escritor Ramalho Ortigão afirmou: “se um dia o nome de Portugal houver de desaparecer da carta política da Europa, esta Casa será ainda como a expressão monumental do cumprimento da profecia: … não se acabe a Língua, nem o nome português na terra”.

A 22 de Dezembro de 1888, a Diretoria promoveu a solenidade de “instalação da biblioteca”, para que a ela assistisse o Imperador. É quando Joaquim Nabuco pronuncia uma frase magistral: “as pedras deste edifício parecem estrofes de Os Lusíadas”. As primeiras sessões da Academia Brasileira de Letras, sob a presidência de Machado de Assis, foram realizadas no Real Gabinete.

Em 1906, o rei D. Carlos concedeu ao Gabinete o título de Real e, desde 1935, a biblioteca tornou-se beneficiária do Depósito Legal.

Obras Raras e Valiosas

Entre as obras mais raras da biblioteca podemos citar a edição princeps de Os Lusíadas, de 1572, que pertenceu à Companhia de Jesus; as “Ordenações de D. Manuel”, por Jacob Cromberger, editadas em 1521; os “Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeran”, editados em 1539; “Verdadeira Informaçam das Terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo o Padre Francisco Alvarez”, de 1540, etc. Possui ainda os manuscritos autógrafos do “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, e o “Dicionário da Língua Tupy”, de Gonçalves Dias. Além do serviço de biblioteca, com consulta informatizada, o Real Gabinete oferece acesso às mais importantes bibliotecas de Portugal pelo sistema “VIP – Real Gabinete”. O Real Gabinete está, atualmente instalando um laboratório próprio de restauração de obras e um espaço multimídia.

Arte e Beleza

Além do acervo bibliográfico, com obras raras, manuscritos, cartas e primeiras edições, o Real Gabinete Português de Leitura possui uma importante coleção de numismática e pinturas de Malhoa, Carlos Reis, Oswaldo Teixeira, Eduardo Malta e Henrique Medina. Também merece registro o “Relicário da Saudade”, em homenagem a Sacadura Cabral e que contém um pergaminho com assinaturas de Pio XII, D. Manuel II de Portugal, D. Afonso XIII da Espanha e Alberto I da Bélgica; o “Altar da Pátria”, peça em prata cinzelada e marfim, com 1,70 m de altura, evocativa dos feitos dos navegadores portugueses, que fez parte da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil; e ainda uma placa oval de prata e marfim, repuxada e cinzelada, em homenagem a Camões, com cenas mitológicas representeando o Olimpo e que esteve também naquela Exposição.

O Real Gabinete, no seu Centro de Estudos, instalou um centro de áudio, vídeo, multimédia e produtos culturais no edifício anexo (Rua Luís de Camões, 34 – oferecido pela Fundação Calouste Gulbenkian).

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