Recife cantou de galo

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O carnaval multicultural e multiracial do Recife não fez feio. O Galo da Madrugada, que abriu as festividades no sábado, levou mais de um milhão de foliões, que agora se dividem, até terça-feira, nas mais diferentes programações tanto de Recife como de Olinda.

O ritmo deste ano é o frevo, que completa 100 anos, e é uma tradição genuinamente pernambucana, como os bonecos de Olinda; os maracatus da zona cavieira, especialmente dos de baque-virado; sem falar nos papangus, mascarados com sacos de papel e papelão, que assustam as crianças na pequena cidade de Bezerros, no agreste.

Nessa invasão da folia multicultural, muitas marcas aproveitaram para pôr o bloco na rua, mas a imagem que fica é a do imponente Galo da Madrugada, um verdadeiro imperador da folia. A foto da Secretaria de Cultura do Recife diz tudo.

Um dos momentos mais belos do carnaval do Recife, no entanto, é a noite dos tambores silenciosos, quando as nações de Maracatus, ocupam o Largo da Igreja, no centro velho de Recife, para abrir espaço para que negros que morrerram sem saber o que é a liberdade, se sintam, naquele chamado, livres para brincar com os Maracatus e sentir a brisa gostosa da alegria. É de arrepiar. Todas as luzes do Pátio e das redondezas se apagam e os tambores clamam por liberdade e, depois, abrem alas para a folia.

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