À PROCURA DE UM MUNDO MELHOR

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O cinismo está entre nós – e se manifesta, inclusive, no conteúdo de publicações acadêmicas, em condutas e prescrições médicas. Na forma de ensaios e com uma dose de humor irônico, os textos do livro “À procura de um mundo melhor:apontamentos sobre o cinismo em saúde”, da Editora Fiocruz,  têm como objetivo “considerar a naturalização do cinismo que nos envolve e também a muitas práticas sanitárias para saber como demarcar e dimensionar o enfrentamento diante dos poderes que obstaculizam o acesso a um mundo melhor”.

A partir de uma densa fundamentação conceitual do termo cinismo e da crítica ao capitalismo neoliberal globalizado, os autores vasculham a ciência e expõem suas fragilidades e incongruências.

Os textos que compõem a obra têm em comum “a preocupação com a proliferação de enunciados cínicos no campo da saúde que inapelavelmente se relaciona a muitas das precariedades presentes”, com destaque para as iniquidades em saúde.

Embora a ciência pretenda ser representação o mais fiel possível da realidade, isenta da subjetividade que distorce as evidências, a produção da verdade científica apresenta problemas – e tantas vezes acaba servindo ao domínio econômico e político. Desse modo, os ensaios aqui apresentados, “se nos preocupam com suas revelações, nos estimulam a resistir nesses tempos em que o cinismo ganha tão sinistras proporções entre a classe política brasileira”, como sintetiza no Prefácio o pesquisador Gil Sevalho, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). 

Sobre os autores:

Luis David Castiel: doutor em saúde pública pela Fiocruz, com pós-doutorado pelo Departamento de Enfermería Comunitaria, Salud Pública e Historia de la Ciencia da Universidade de Alicante, Espanha; pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). É professor permanente dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Pública e de Epidemiologia em Saúde Pública da Ensp/Fiocruz.

Caco Xavier: doutor em antropologia social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro; atua na Fiocruz nas áreas de comunicação, comunicação estratégica com ênfase em novas tecnologias da informação e comunicação e em pesquisas nas áreas de etnologia indígena sobre antropologia dos objetos artísticos, ritual e memória. Ilustrado e cartunista, foi um dos autores de quadrinhos mais premiados do Brasil nos anos 1990, com cartuns publicados nas principais revistas nacionais (Pasquim, Mad, Animal).

Danielle Ribeiro de Moraes: doutora em saúde pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz); tecnologista em saúde pública da Fiocruz, onde atua em atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico no Laboratório de Educação Profissional em Atenção à Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Laborat/EPSJV/Fiocruz). Atualmente está vinculada ao grupo de pesquisa Núcleo de Estudos em Democratização e Sociabilidades na Saúde da EPSJV/Fiocruz.

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Sobre o autor

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