AS MICROMULTINACIONAIS E COMO ELAS DEFINIRÃO NOSSA ERA

0

Por Raj Subramaniam*

Não vale a pena fundar uma empresa nos dias de hoje se ela não puder se globalizar. Sir Richard Branson, fundador do Grupo Virgin

No início de 2003, um dinamarquês chamado Janus Friis e um sueco chamado Niklas Zennström conceberam um aplicativo e fundaram uma empresacom a ajuda de três desenvolvedores de software da Estônia. Assim nasceu uma multinacional, embora pequena e desconhecida. Eles registraram um domínio de internet e se prepararam para lançar a versão Beta do aplicativo no final daquele ano.

 

Em 2011, a empresa foi comprada pela Microsoft por astronômicos 8,5 bilhões de dólares[1]. O aplicativo deles, o Skype, tinha se popularizado. Na verdade, eu mesmo tenho o aplicativo no smartphone que trago no meu bolso enquanto escrevo este artigo e tenho certeza de que o mesmo acontece com muitos de vocês, leitores.

 

Este foi apenas um dos primeiros casos de ‘micromultinacionais’ – empresas pequenas e empreendedoras que ‘nascem globais’ ou que aproveitam plataformas de negócios on-line e a crescente abertura da economia global para entrar em mercados globais[2].

 

O que viabilizou a ascensão das micromultinacionais é a realidade de que, no século XXI, uma empresa não precisa ser grande para se globalizar. Hoje, bastam um dispositivo móvel, uma plataforma de envios e uma grande ideia. Mesmo a menor das empresas pode ter acesso a inovações na área de comunicação e informática que, apenas 15 anos atrás, eram inacessíveis até às grandes empresas. E esse acesso acontece quase sem custo ou a custo zero. Trata-se de uma mudança radical: Hal Varian, economista-chefe do Google, acredita que isso revolucionará a economia mundial e a cultura do início do século XXI[3]. Penso que ele não está exagerando. Ao combinarem redes virtuais (internet de alta velocidade, comunicação móvel e outras tecnologias digitais) e redes físicas (sistemas de transporte e plataformas logísticas), as micromultinacionais têm o potencial de mudar indústrias quase que de um dia para o outro. Elas definirão nossa era da mesma forma que as grandes corporações multinacionais definiram os negócios globais no final do século XX.

 

Mas o que as micromultinacionais têm de especiais? Para começar, por definição, micromultinacionais são empresas de pequeno a médio porte (PMEs), um elemento criticamente importante da economia global. As PMEs representam cerca de 90% de todas as empresas[4] do mundo, e mais de 50% dos postos de trabalho mundiais[5]. Têm as mesmas vantagens das outras PMEs, como agilidade para responder às mudanças no mercado, um DNA colaborativo que fomenta a inovação e estão livres da inércia institucional que costuma flagelar as organizações maiores[6]. Assim, como não poderia de ser, a escala da oportunidade representada pelas micro, pequenas e médias empresas (ou MPMEs) chamou a atenção dos observadores. Já em 2012, a McKinsey previu que, ao atenderem as MPMEs de mercados emergentes, os bancos poderiam aumentar suas reservas em 20% ao ano de 2010 a 2015[7].

 

Entretanto, embora as micromultinacionais sejam uma parte bastante importante da categoria de PME, existe uma diferença entre as micromultinacionais e as demais PMEs. As micromultinacionais têm vantagens que não estão disponíveis às PMEs que operam em um único mercado, como a capacidade de explorar as variações globais em termos de conhecimento, habilidades e custos de mão de obra[8]. Elas podem operar seu negócio no mundo todo, ininterruptamente, em múltiplos fusos horários[9]. Em essência, as micromultinacionais têm todos os benefícios tradicionais de serem pequenas e ágeis, além de outros que resultam da capacidade de operar e vender seus produtos e serviços em múltiplos mercados globais[10].

 

 

No contexto da América Latina, o Chile é um bom exemplo disso. O país tem os maiores índices de criação de novos empreendimentos voltados a essaoportunidade dentre as economias latino-americanas, e se beneficiou de um crescimento sustentável, políticas fortes e direcionadas e orientaçãointernacional. As empresas de pequeno porte representam 99% de todas as empresas do Chile, gerando 75% dos empregos. Embora a escassez de recursos e a limitação do acesso a serviços financeiros e a fontes de inovação dificultem a atuação no mercado global, as pequenas empresas chilenas apresentam níveis cada vez mais altos de atividade internacional[11].

 

 

Claro que as micromultinacionais enfrentam as mesmas realidades comerciais que as demais empresas. Algumas quebrarão ou serão compradas por outras. A maioria delas não será a ‘próxima Skype’. Elas provavelmente serão muito mais parecidas com a Vast.com, uma provedora de soluções de big data para compradores residenciais. A empresa tem 25 funcionários que atuam em cinco fusos horários, quatro países e dois continentes. Seus executivos ficam em São Francisco, o CTO está baseado na República Dominicana e a equipe de desenvolvimento, em Belgrado. Segundo o CEO, “estamos construindo a empresa de uma forma que teria sido impossível até dois anos atrás[12]”.

 

Outro exemplo é a Local Motors, uma empresa automotiva do Arizona que possui um diferencial. Ela não tem equipe de projetos e faz pouca pesquisa e desenvolvimento internamente. Em vez disso, possui uma rede on-line de 12.000 projetistas autônomos, em 121 países, que colaboram no desenvolvimento de projetos automotivos futurísticos. Ao contrário da maioria das montadoras, a Local Motors não possui grandes fábricas ou sofisticados escritórios globais. A empresa produz carros usando uma rede de microfábricas. Ela já projetou e fabricou 50 veículos off-road e planeja produzir outros 1.500. Baixas despesas gerais fazem com que esse modelo de negócio seja altamente bem-sucedido: a empresa possui apenas 15 funcionários em tempo integral[13].

 

Acreditamos que as micromultinacionais mudarão a forma dos negócios globais em diferentes setores industriais e fronteiras geográficas. O setor de logística tem um papel fundamental no sucesso dessas empresas e estamos nos preparando para apoiá-las fornecendo, além de uma logística rápida e confiável, muita expertise em regulamentos de importação e exportação e gestão da cadeia de suprimentos[14]. Afinal, a promoção do comércio internacional promove também os interesses das micromultinacionais, contribuindo para a saúde das economias nacionais[15]. E, quando isso acontece, as micromultinacionais, seus funcionários, clientes e comunidades – enfim, todos – prosperam.

 

 *Raj Subramaniam é vice-presidente executivo de marketing e comunicação global da FedEx Services.

[1] “Microsoft confirms takeover of Skype”. bbc.com, 10 de maio de 2011.

2 Mettler and Williams, The Rise of the Micro-Multinational, O Conselho de Lisboa 2011

3 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

4 International Finance Corporation, Banco Mundial (http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/277d1680486a831abec2fff995bd23db/AM11IFC+IssueBrief_SME.pdf?MOD=AJPERES )

5 International Finance Corporation, Banco Mundial (http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/277d1680486a831abec2fff995bd23db/AM11IFC+IssueBrief_SME.pdf?MOD=AJPERES )

6 Mettler and Williams, The Rise of the Micro-Multinational, O Conselho de Lisboa 2011

7 Chironga, M. et al, Micro-, Small- and Medium-Sized Enterprises in Emerging Markets, McKinsey & Company, 2012

8 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

9 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

10 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

11 Journal of Business Research, Micro-multinational or not? International entrepreneurship, networking and learning effects, 17 de julho de 2013

12 http://www.mighty-micro-multinational.com/, The Trend of Micro-Multinationals, outubro de 2014

13 Mettler and Williams, The Rise of the Micro-Multinational, O Conselho de Lisboa 2011

14 FedEx GCR, 2014 & 2013 & FedEx APAC 2014

[1]5 Comunicado de Imprensa pré-aprovado da FedEx, fevereiro de 2015

[1] “Microsoft confirms takeover of Skype”. bbc.com, 10 de maio de 2011.

[2] Mettler and Williams, The Rise of the Micro-Multinational, O Conselho de Lisboa 2011

[3] Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

[4] International Finance Corporation, Banco Mundial (http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/277d1680486a831abec2fff995bd23db/AM11IFC+IssueBrief_SME.pdf?MOD=AJPERES )

5 International Finance Corporation, Banco Mundial (http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/277d1680486a831abec2fff995bd23db/AM11IFC+IssueBrief_SME.pdf?MOD=AJPERES )

6 Mettler and Williams, The Rise of the Micro-Multinational, O Conselho de Lisboa 2011

7 Chironga, M. et al, Micro-, Small- and Medium-Sized Enterprises in Emerging Markets, McKinsey & Company, 2012

8 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

9 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

10 Varian, H., Micromultinationals Will Run the World, Foreign Policy, 2011

11 Journal of Business Research, Micro-multinational or not? International entrepreneurship, networking and learning effects, 17 de julho de 2013

12 http://www.mighty-micro-multinational.com/, The Trend of Micro-Multinationals, outubro de 2014

13 Mettler and Williams, The Rise of the Micro-Multinational, O Conselho de Lisboa 2011

14 FedEx GCR, 2014 & 2013 & FedEx APAC 2014

[15] Comunicado de Imprensa pré-aprovado da FedEx, fevereiro de 2015

Compartilhar.

Sobre o autor

Comentários desativados.

000-017   000-080   000-089   000-104   000-105   000-106   070-461   100-101   100-105  , 100-105  , 101   101-400   102-400   1V0-601   1Y0-201   1Z0-051   1Z0-060   1Z0-061   1Z0-144   1z0-434   1Z0-803   1Z0-804   1z0-808   200-101   200-120   200-125  , 200-125  , 200-310   200-355   210-060   210-065   210-260   220-801   220-802   220-901   220-902   2V0-620   2V0-621   2V0-621D   300-070   300-075   300-101   300-115   300-135   3002   300-206   300-208   300-209   300-320   350-001   350-018   350-029   350-030   350-050   350-060   350-080   352-001   400-051   400-101   400-201   500-260   640-692   640-911   640-916   642-732   642-999   700-501   70-177   70-178   70-243   70-246   70-270   70-346   70-347   70-410   70-411   70-412   70-413   70-417   70-461   70-462   70-463   70-480   70-483   70-486   70-487   70-488   70-532   70-533   70-534   70-980   74-678   810-403   9A0-385   9L0-012   9L0-066   ADM-201   AWS-SYSOPS   C_TFIN52_66   c2010-652   c2010-657   CAP   CAS-002   CCA-500   CISM   CISSP   CRISC   EX200   EX300   HP0-S42   ICBB   ICGB   ITILFND   JK0-022   JN0-102   JN0-360   LX0-103   LX0-104   M70-101   MB2-704   MB2-707   MB5-705   MB6-703   N10-006   NS0-157   NSE4   OG0-091   OG0-093   PEGACPBA71V1   PMP   PR000041   SSCP   SY0-401   VCP550   HP0-S42   70-483   101   000-080   1z0-434   CCA-500   CAP   1Z0-804   220-802   70-483   SY0-401   70-980   300-101   c2010-652   ICGB   1Z0-144   101   70-533   000-017   1Z0-060   640-916   9L0-012   MB2-704   9L0-066   2V0-621D   1Z0-144   1Y0-201   74-678   EX200   70-483   700-501   210-260   200-310   100-105  , JK0-022   350-080   300-070   CISSP   810-403   CAS-002   300-206   200-101   OG0-093   000-104   MB6-703   CISSP   1Z0-144   070-461   1Z0-060   SSCP