DIÁRIO DO GOLPE: O TEMEROSO DIA 13/05/2016 NO PALÁCIO DO PLANALTO

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Marcelo Auler, jornalista profissional com longa e respeitada carreira e passagens por jornais como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, é exímio no texto e na descrição do primeiro dia de governo de Michel Temer, o interino que desde o último dia 12 de maio de 2016 ocupa a cadeira da presidenta eleita, Dilma Rousseff. Do desrespeito à simbologia das instituições, no caso a Presidência da República, ao desrespeito ao funcionalismo público, Temer e seus assessores foram protagonistas de um dia 13 de maio de 2016 temeroso no Palácio do Planalto, e neste caso o trocadilho faz todo o sentido. Confiram o brilhante texto e acompanhem o blog de Marcelo Auler na internet, uma leitura obrigatória para os que querem se manter informados sobre o Brasil.

 

Por Marcelo Auler

As fotos oficias da presidente Dilma Rousseff foram retiradas dos gabinetes como se ela já não fosse mais presidente. Diante da reclamação de servidores, elas retornaram às paredes.

As fotos oficias da presidente Dilma Rousseff foram retiradas dos gabinetes como se ela já não fosse mais presidente. Diante da reclamação de servidores, elas retornaram às paredes.

No primeiro dia do governo interino de Michel Temer, os novos administradores do Palácio do Planalto agiram de forma semelhante aos antigos feitores dos escravos, libertados pela princesa Isabel, em um mesmo 13 de maio, há 128 anos: retaliaram em cima de servidores que nada têm com as disputas políticas, alguns deles lotados ali desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. As vagas foram abertas para acomodar os apadrinhados da nova administração.

Os funcionários do Planalto foram dispensados, de maneira indireta, muitos deles sem saber como voltam para seus estados de origem. No terceiro andar, onde fica o gabinete da Presidência da República, só entre secretárias e assessores foram mais de 30 atingidos. A eles somam-se ainda contínuos. Como o gabinete de Dilma Rousseff se espalhava por outros andares, o número dos dispensados é ainda maior.

Para complementar o clima de “limpeza” eles também foram rápidos em retirar das salas as fotos da presidente Dilma, esquecendo que ela não foi deposta, apenas afastada e continua presidente. Diante da reação de funcionários que colocaram a boca no trombone e vazaram a informação para alguns jornalistas, os quadros acabaram recolocados.

A “limpeza” nos gabinetes do Planalto foi vista pelos atingidos como retaliação e falta de confiança. “ficaram com medo de espiões”, comentou uma servidora que saiu com Dilma. “Querem transformar o Planalto em um cabide de emprego”, resumiu outro assessor direto da presidente. “Nem o Lula, quando chegou, demitiu servidores que estavam lá há muitos anos, que serviram no governo de Fernando Henrique Cardoso”, explicou um ex-assessor que acompanhou o início do governo Lula, em 2003.

O clima de pavor foi criado por um dos assessores da Casa Civil, agora comandado por Eliseu Padilha, braço direito do presidente interino. Como todas as chefias ligadas ao gabinete da presidente Dilma exoneraram-se na quarta-feira e deixaram o Planalto com ela, quinta-feira de manhã, não havia quem demitisse os servidores. O assessor da Casa Civil comunicou a um deles e o encarregou de espalhar a decisão. A ordem foi clara:

Todos os servidores estavam dispensados e não precisavam mais aparecer. Os funcionários de outros órgãos público, devem se apresentar nos seus locais de origem. Os contratados estavam demitidos.

Na ausência das chefias imediatas surgiu o problema dos servidores que vieram de outros estados. Pela legislação, eles terão direito às passagens e ao pagamento da mudança. Mas, sem as chefias imediatas, não havia quem assinasse as autorizações. Isto só aumentou o pavor. Foi um belo começo de gestão, de um governo que precisa ganhar legitimidade. Justo no dia das comemorações pela libertação dos escravos.

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