SALINAS PRODUZ CACHAÇA QUE BRINDA A DIVERSIDADE

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A população homossexual brasileira ultrapassa os 18 milhões de pessoas segundo estimativas da Associação Brasileira LGBT. Um público que já atinge, no país, a marca de potencial de compras de R$ 419 bilhões, de acordo com a associação internacional Out Leadership. O valor equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Nicho sólido e de clientes exigentes, eles geraram uma grande movimentação no mercado, que tem se preparado para atender as particularidades dos grupos LGBT.

 

Umas das novidades do setor vem de Salinas, cidade do norte de Minas de Gerais, reconhecida nacionalmente como polo da cachaça. É lá, no Alambique Erva Doce, que foi criada a Rainbow – aguardente com teor alcoólico menor do que a cachaça clássica para atender a esse público. A ideia veio do médico João Pena após observar a dificuldade de familiares em aceitar a escolha sexual dos filhos. “São muitos anos de medicina acompanhando jovens e famílias no processo de descobrimento e aceitação do homossexualismo – que não é doença e não precisa ser tratado por um médico. Em respeito a esse grupo, que cresce e ganha força, criei um produto especial”, conta.

 

O médico produz cachaças desde 1992, inicialmente por hobby. A comercialização começou apenas em 1996, ainda sem marca, e, em 1999, surgiu a cachaça Erva Doce. Nos últimos três anos, a empresa foi arrendada a outro produtor e, de volta às mãos do criador do alambique, em 2014, começaram os trabalhos de registro da Rainbow – ainda não liberada para comercialização. A proposta da nova cachaça, segundo João Pena, é celebrar as diferenças, a ousadia e a coragem. “Não somos todos iguais. Somos diversos na cultura, nos valores, na aparência e, principalmente, nas nossas escolhas e no nosso livre arbítrio”, enfatiza.

 

Ainda sem previsão de ser lançada, a Rainbow já é procurada por grupos dispostos a apresentar o produto em feiras. Ainda não há como mensurar a produção, mas o proprietário tem a expectativa de fabricar até 25 mil litros por ano – mesma quantidade do outro rótulo do alambique, a Erva Doce.  A criação da cachaça especialmente voltada para o público homossexual ainda contribui para que o alambique se diferencie no mercado, tão competitivo em Salinas. “O produto atende uma fatia de mercado diferenciada, um nicho interessante que está se impondo na sociedade e buscando seu espaço. Quando um produtor enxerga esse momento e investe, a probabilidade de a iniciativa dar certo é muito grande”, garante o analista do Sebrae Minas, Filomeno Bida.

 

O alambique produtor da Rainbow e da Erva Doce integra a Associação dos Produtores de Cachaça de Salinas (Apacs), composta por 28 alambiques e 52 rótulos de cachaça, e, há 12 anos, participa do programa de capacitação do setor realizado pelo Sebrae Minas. Durante esse período, João Pena participou de cursos voltados para a melhoria da gestão, governança corporativa e consultorias tecnológicas. No momento, os participantes passam pelo processo de criação de uma marca coletiva, que identificará as cachaças do grupo nacionalmente. (Da Agência Sebrae/Minas Gerais)

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