Uma aula de literatura

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A participação das escolas da região de Parati na próxima FLIPINHA será 30% maior do que na edição de 2006. Resultado do programa educativo Cirandas de Parati, a FLIPINHA é a realização de um compromisso assumido pela Associação Casa Azul, realizadora da FLIP, desde o início do evento: promover a literatura e formar leitores por bem mais do que os cinco dias da Festa Literária. Este ano, além do trabalho com os livros e escritores, os estudantes farão inventários do patrimônio imaterial de Parati – como a tradição oral, os saberes, os fazeres e as festas populares.

 

A FLIPINHA funciona como ponto de encontro das atividades realizadas por todo o ano junto à rede de ensino da região (desde encontros dos estudantes com autores e ilustradores de livros infanto-juvenis a ações de capacitação de professores sobre como levar às salas de aula as tradições regionais e a literatura).

 

Dois meses antes da FLIP, os professores recebem o Manual de Participação, que oferece suporte teórico e prático sobre a aplicação em classe dos temas propostos pela organização. O desse ano, com 64 páginas, tem três capítulos: um sobre o homenageado da V FLIP, Nelson Rodrigues, outro sobre a valorização do patrimônio histórico e cultural de Parati e o terceiro, mais específico sobre o que se chama de herança imaterial: “Minha Língua, Meu Patrimônio”. Na prática, os estudantes vão colher entre os próprios familiares e vizinhos expressões populares e histórias passadas boca-a-boca entre gerações e raramente documentadas. 

 

Esses estudos serão transformados em apresentações na FLIPINHA. Tudo acontece na Praça da Matriz de Parati, ao redor da já tradicional Tenda Azul, junto com peças teatrais, shows, palestras com escritores, exposições e leituras realizadas debaixo dos pés-de-livro (ipês e magnólias em frente à Igreja Matriz, abarrotados de livros pendurados feito frutas e… devorados pela criançada). Espalhados na mesma praça, são expostos os bonecos gigantes feitos de papel machê, representando personagens da literatura infanto-juvenil.

 

A cada edição aumenta o número de participantes e em 2007, entre as escolas que estarão presentes, duas são de comunidades indígenas de Parati.

 

Como na FLIPINHA, vem crescendo também a adesão das escolas ao programa educativo Cirandas de Parati. Em 2006, comemorou-se o envolvimento de 90% da comunidade escolar. Em números isso significa cerca de 700 educadores e 7 mil estudantes de 30 escolas municipais, 2 estaduais e 5 particulares.

 

A história

 

A FLIPINHA passou a ser realizada em 2004, um ano após a primeira FLIP. A edição de estréia não teve tantas atrações, concentrou-se em expor os trabalhos do primeiro ano do programa educativo Cirandas de Parati. Chamou atenção, entre outras coisas, pelos livros escritos por estudantes da cidade. Essas obras hoje fazem parte da biblioteca da Casa Azul.

 

Em 2005, os cerca de 50 alunos da escola que fica no Pouso da Cajaíba, uma praia a três horas de barco de Parati, participaram da FLIPINHA pela primeira vez. E estão ansiosos para ir novamente.

 

No ano passado, estava tudo pronto para isso. A criançada tinha estudado a obra do homenageado, Jorge Amado. Já pensava nas apresentações dos colegas de outras escolas da região, nos escritores que conheceria de perto, nos livros pendurados na Praça da Matriz. Mas o tempo fechou, o mar ficou bravo e a travessia até o centro histórico de Parati seria perigosa demais.

 

Nesses cinco anos, as responsáveis pelo Cirandas não mediram esforços para levar a literatura e o conceito de valorização da cultura da região mesmo aos povoados que ficam longe do centro de Parati.

 

E o contrário também acontece: participam da Flipinha escolas da Ilha do Araújo, da Ponta Negra, Praia do Sono e de comunidades rurais como as do Corisco e Taquari.

Sobre a FLIP

 

A quinta edição da Festa Literária Internacional de Parati, reconhecida como o maior evento literário da América Latina, será realizada de 4 a 8 de julho. Para esta edição já estão confirmadas as presenças de autores como os Prêmios Nobel J. M. Coetzee e Nadine Gordimer (ambos sul-africanos), o autor de policiais americano Dennis Lehane, o roteirista mexicano Guilhermo Arriaga (“Babel”, “Amores Brutos”), o moçambicano Mia Couto, os romancistas argentinos César Aira, Rodrigo Fresán e Alan Pauls e o jornalista e escritor americano Lawrence Wright, um dos vencedores da 91ª edição do prêmio Pulitzer na categoria não-ficção, com O vulto das Torres. Nelson Rodrigues será o homenageado desta edição.


 

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