O Itaú Cultural abre hoje dia 2 a mostra Emoção Art.ficial 4.0 – Emergência!, quarta edição da Bienal Internacional de Arte e Tecnologia criada pela instituição em 2002.
A mostra, que fica em cartaz até 14 de setembro, reúne 16 obras que tratam da imprevisibilidade dos resultados em diversos ambientes. “Reunimos trabalhos que mostram que mesmo no mundo dos softwares e dos componentes eletrônicos há a presença do inesperado”, diz Marcos Cuzziol, coordenador do Itaulab (Núcleo de Arte e Tecnologia do instituto) e um dos organizadores da exposição. “O eixo da mostra está no conceito de emergência, que no campo da arte tecnológica explora justamente o acaso onde deveria imperar o previsível”, completa Guilherme Kujawski, que compartilha a organização da mostra.
Nesta quarta edição da bienal, o público vai conhecer os trabalhos de dois coletivos e de 14 artistas da Áustria, Bélgica, Brasil, Colômbia, Coréia, Estados Unidos, França, Inglaterra, México, Portugal e Suécia.
Na sede do Itaú Cultural estarão expostos robôs que lêem as expressões faciais dos visitantes e respondem com emissão de cores; um robô que pinta quadros no estilo gestual e que capta os inputs do público (a obra integra o acervo permanente do Museu de História Natural de Nova Iorque na área de origem da espécie humana); carpas que se transformam em peixes-DJs, alterando com seus movimentos o som ambiente da sala de exposição; células virtuais que reinventam sons e compõem sinfonias, seres de vida artificial que se reproduzem; entre outros trabalhos.
A mostra também ganha o espaço urbano. A exposição terá a obra Ultra-Nature instalada na estação do metrô Paraíso. A peça é um painel de 9 por 3 metros que simula um jardim virtual com espécies fictícias de plantas. Quando o público passa pela obra, as plantas se movimentam, espalham seus polens e geram novas espécies.
Uma outra atração para o público será a demo do esperado videogame Spore, criado por Will Wright, o mesmo criador do SimCity, ambos da Electronic Arts. O jogo desenvolve uma história sobre a origem da vida, a criação de civilizações, sua evolução e seu fim. Com gráficos de alta qualidade, Spore é um exemplo completo de emergência, uma vez que o comportamento das criaturas do jogo é totalmente imprevisível, bem como o seu destino.
Obras – Artistas Internacionais
The Bacterial Orchestra, dos suecos Olle Cornéer e Martin Lübcke, uma orquestra formada por pequenas caixas de som executa “sinfonias” através de feedback (microfonia) e sonoridades capturadas de 256 instrumentos, reelaborando as músicas infinitamente. Performative Ecologies, do inglês Ruairi Glynn, traz uma comunidade de robôs que reconhece expressões faciais do público e emite cores diferenciadas para cada pessoa.
No trabalho do português Leonel Moura, RAP3 – Robotic Action Painter, um robô solitário realiza obras de arte no estilo das pinturas gestuais. A inspiração do robô-pintor, que “vive” em uma sala dedicada à origem da humanidade no Museu de História Natural de Nova York, são as informações colocadas em seu código e os inputs recebidos do público. O seu criador trabalha na área de inteligência artificial e robótica e em 2007 criou o Robotarium, o primeiro zoológico de robôs, localizado em Alverca, Portugal.
Do austríaco Roman Kirschner, pesquisador na Academia de Mídia Arte de Colônia, Alemanha, Roots é uma espécie de aquário que em vez de água contém sulfato de ferro, onde estão mergulhadas hastes de arame que recebem cargas elétricas. A partir disso, cristais negros crescem em suas extremidades como neurônios e, depois de tentarem se conectar com cristais de outros eletrodos, dissolvem-se.
Em mais um aquário desenvolve-se Bachelor: The Dual Body, do coreano Ki-bong Rhee. Trata-se de uma instalação composta por um livro submerso na água onde faz delicados movimentos, sem afundar nem emergir. Ele mantém a sua estabilidade por meio de um equilíbrio dinâmico entre um campo magnético e o fluxo proporcionado pela bomba de água.
Bacterias Argentinas, web art do colombiano Santiago Ortiz, matemático e pesquisador das intersecções entre arte e ciência, sugere um modelo dinâmico de agentes autônomos – na forma de palavras em uma rede gramatical – que se comem uns aos outros, trocando informações genéticas e promovendo a emergência de narrativas inusitadas.
A reprodução de vida artificial é o que se encontra em Tumbling Dream Chambers, do coletivo inglês Boredomresearch (formado por Vicky Isley e Paul Smith, pesquisadores de animação e arte computacional). É composta por cinco displays, como recipientes de vidro para cultura de bactérias em laboratórios. “Inoculados” por duas “sementeiras” (pequenos computadores), microorganismos artificiais nascem, evoluem e morrem.
Já em PixFlow #2, o coletivo belga LAb[au](composto por Manuel Abendroth, Jérôme Decock e Els Vermang) apresenta uma escultura na forma de um console composto por quatro displays dispostos verticalmente. Um programa simula um campo vetorial onde partículas fluem conforme a evolução de sua densidade. A interação mútua que se desenrola no campo provoca a emergência de comportamentos totalmente imprevisíveis das partículas.
The Mutation of the White Doe, do americano Nicolas Reeves traz três esculturas elaboradas a partir de um algoritmo genético. O pedestal de cada uma emite trechos reelaborados de The White Doe, antiga música folclórica escandinava. Esse trabalho remete às esculturas 3D criadas a partir de obras de software art.
Obras – Artistas brasileiros
Raquel Kogan criou Reler em que 50 livros-objeto, quando abertos, reverberam e multiplicam declamações de textos diferentes criando uma polifonia de sons que, somados, nunca são iguais. Esta obra foi uma das vencedoras do Rumos Itaú Cultural Arte Cibernética em 2007.
Vivian Caccuri, igualmente brasileira e selecionada no mesmo Rumos, apresenta Canções Submersas. Neste trabalho, quatro carpas se transformam em “peixes-DJ”. Submersas em uma piscina climatizada, elas se movimentam e influenciam o som captado de tocadores de mp3 do público. O nado dos animais é reconhecido por um software especial e conforme eles se movimentam e se aproximam uns dos outros, o sistema modifica em tempo real as faixas musicais. É então criada uma “cacofonia fluida” no ambiente da obra, possibilitando uma “audição coletiva” de arquivos sonoros íntimos.
A web art youTAG, do mineiro Lucas Bambozzi, outra obra vencedora do Rumos Artes Cibernética 2007, é composta por um sistema especial de procura palavras-chave associadas a vídeos e fotos na Internet. A partir de uma busca especifica, o visitante recebe em sua conta de e-mail uma peça audiovisual remixada – e de autoria desconhecida – de material previamente existente e disponível na rede.
O arquiteto e mestre em poéticas digitais Sandro Canavezzi de Abreu apresenta em primeira mão I/VOID/, também selecionada no Rumos. Nessa versão atualizada da instalação VOID o visitante se vê espelhado no interior de uma esfera acrílica, na qual sons, imagens reais e virtuais se fundem e se confundem, criando uma realidade interna instável e inóspita.
Obras no espaço público
Ultra-Nature é um extenso jardim virtual cuja flora é composta de seis variedades de plantas digitais coloridas que se agitam e se multiplicam de acordo com a movimentação do público. Esta obra do mexicano radicado na França e um dos pioneiros da arte digital Miguel Chevalier será exposta no metrô Paraíso e poderá ser vista por milhares de pessoas que passam diariamente por ali.
Do mesmo modo, Mikado_Xplosion poderá ser apreciada pelos transeuntes que passarem em frente ao Itaú cultural, na avenida Paulista. Do francês Pascal Dombis, a obra deriva de um programa de computador baseado numa imagem geométrica simples, que tem o formato de uma árvore. Trata-se de uma sobreposição de 1,5 milhões de linhas coloridas, que remetem ao jogo infantil das varetas chinesas e será fixada na fachada do prédio.
A exposição destas duas obras ao grande público enfatiza a postura do Itaú Cultural de explorar o espaço urbano com obras de arte pública. Em mostras anteriores, o instituto extrapolou o espaço de suas paredes e levou ao público nas ruas obras de Regina Silveira, Cildo Meirelles e Eduardo Srur.
SERVIÇO
Emoção Art.ficial 4.0 – Emergência!
Dia 1º de julho, abertura para convidados
Abre ao público de 2/7 a 14/9
De terça a sexta, das 10h às 21h
Sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h
Entrada franca