O consumidor multimídia: uma tendência contemporânea foi o estudo desenvolvido pelos executivos do IBOPE Mídia, Affonso Barrella e Michelle Freitas, que traça uma evolução da história recente do crescimento das classes sociais no Brasil e como esse progresso tem impactado no consumo de mídia por parte dos indivíduos. Com essas informações, foi possível identificar algumas características do chamado novo usuário-consumidor.
Para embasar o estudo, a dupla do IBOPE Mídia levantou uma série de informações retiradas de serviços da empresa, como audiência de TV aberta, audiência de rádio e hábitos de leitura de jornal, consumo de internet, levantamento sócio-econômico e informações do Target Group Index estudo regular realizado pelo IBOPE Mídia para mapear hábitos de consumo e comportamento da população brasileira.
O levantamento detectou que, com o crescimento econômico de todas as classes no Brasil, a população procura estar muito mais bem informada e, para isso, tem buscado se munir de informações por meio dos diferentes veículos de comunicação.
Televisão
A TV vem crescendo de forma estável em todas as classes sociais. Especificamente nas classes AB verifica-se uma tímida diminuição no tempo médio na frente da TV. Ainda assim, a TV continua sendo o meio de maior credibilidade entre todas as classes sociais (média de 3,86, em uma escala de 1 a 5, sendo 1 discorda e 5 concorda) e também o veículo que mais chama a atenção do espectador para anúncios publicitários (média de 3,54).
Jornal
O jornal é o meio de comunicação que vem apresentando crescimento paulatino nos últimos 2 anos – em termos de leitura diária. No geral, 43% da população lê jornais diariamente, com maior incidência nas classes A,B e C. Dentro das classes DE, o jornal vem ganhando espaço com o passar dos anos. Em 2002, o percentual de indivíduos dessas classes que liam jornal diariamente era de 9,21%. Atualmente, chega a quase 12%.
A chegada dos jornais denominados de ultrapopulares ou semigratuitos (com preço de capa menor que R$ 1,00) potencializou o consumo deste meio junto às classes C/D/E.
Quando o assunto é credibilidade, o jornal também aparece bem posicionado, acima da média, com nota 3,42 (em uma escala de 1 a 5). Para o mercado publicitário, também é um meio com boa aceitabilidade: obteve nota 3,32 no quesito prestar atenção aos anúncios publicitários. Dentro deste contexto, é importante ressaltar que já se verificava maior atenção das classes AB para as inserções comerciais nos jornais. Quem se destacou neste aspecto, de acordo com o estudo, foram as classes C, D e E.
Rádio
O rádio foi um dos meios que mais sofreu variações no tempo médio de consumo nos últimos anos. Até 2002, o veículo obtinha picos de audiência e grande penetração em todas as classes. A partir de 2003, obteve quedas significativas de audiência. Agora, em 2007, ensaia uma tendência de crescimento, principalmente entre as classes C, D e E.
Mesmo com as variações de audiência e quedas no tempo médio de consumo que o rádio sofreu nos últimos anos, continua sendo o 2º veículo de maior credibilidade na opinião dos brasileiros. Em levantamento realizado pelo IBOPE Mídia, o meio obteve média 3,51, em uma escala de 1 a 5. Para o meio publicitário, o veículo apresenta uma performance média no quesito atenção do público. Propagandas veiculadas em rádio obtiveram nota 2,95 quando avaliadas como chamativas ou não.
Internet
Apesar de ser o meio de comunicação que obteve as maiores taxas de crescimento e penetração no decorrer dos últimos anos, a internet ainda aparece como um veículo segmentado. Sua penetração por classe social aparece da seguinte forma: 28% – classes AB, 16% – classe C e apenas 1% das classes DE.
Quando avaliada em relação a sua credibilidade, a internet aparece como a ferramenta menos confiável do país, com média 2,73. Para o mercado publicitário, também não aparece como uma das ferramentas mais efetivas: alcançou média 2,92 quando avaliada pela atenção que os usuários dispendem a propagandas veiculadas neste meio.
Respaldado pelo crescimento econômico e diante de um grande número de opções de consumo, o brasileiro está incorporando novas marcas/produtos/serviços ao seu cotidiano. Na mídia, incorpora também novos meios de informação, tornando-se, então, um consumidor multi-mídia. Diante desse cenário, os meios de comunicação e a publicidade terão que refinar o seu diálogo para reafirmar o seu papel e a sua importância junto a esse novo usuário-consumidor, concluiu Affonso Barrella, gerente Mídia Mix do IBOPE Mídia e um dos autores do estudo.
O IBOPE Mídia é a maior empresa latino-americana de pesquisa de mídia. Especializada no monitoramento de meios de comunicação e sua relação com os consumidores, a empresa provê a seus clientes sistemas de apoio baseados principalmente em pesquisa de mídia e serviços analíticos e consultivos para subsidiar a tomada de decisão de negócios. Possui operações em 13 países da America Latina e um escritório comercial em Miami, responsável pelo atendimento a clientes internacionais
Fundado em 13 de maio de 1942, o IBOPE é uma multinacional brasileira de capital privado, líder na América Latina, que atua nas áreas de pesquisa de mídia e de mercado. O grupo, que ocupa atualmente a 18ª posição entre as 25 maiores empresas de pesquisa do mundo, é composto por duas grandes empresas, IBOPE Mídia e IBOPE Inteligência, além de possuir participação acionária importante na Millward Brown Brasil. Em 2000 o IBOPE criou o Instituto Paulo Montenegro, organização sem fins lucrativos que atua de maneira focada e com prioridade definida no campo da educação. O Instituto desenvolve e dissemina projetos que têm como base o know-how em pesquisa das empresas do Grupo e a credibilidade conquistada ao longo de seus 65 anos de atividade.
Consumo multimídia
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