Se a marca característica da Festa Literária Internacional de Paraty ao longo das cinco primeiras edições foi a excelência dos convidados, neste ano não será diferente. A Festa traz mais uma vez ao Brasil alguns dos principais nomes das letras mundiais.
Num evento que tem tudo para marcar época na história da FLIP, o dramaturgo Tom Stoppard, tido por muitos críticos como o principal autor de teatro em atividade no mundo, passa em revista sua trajetória em entrevista conduzida por Luís Fernando Verissimo, admirador confesso de seu trabalho. Em outra mesa que deve despertar o público em Paraty, o holandês Cees Nooteboom, tido por críticos como A. S. Byatt e J. M. Coetzee como um dos autores de maior alcance da literatura mundial, diversas vezes cotado para o Nobel, fala sobre suas múltiplas habilidades literárias com o controverso Fernando Vallejo, um dos nomes de maior destaque das letras hispano-americanas. Pródigo na mistura entre lirismo e humor, o norte-americano David Sedaris é promessa de uma performance igualmente memorável.
Duas literaturas aparecem pela primeira vez representadas na FLIP: a italiana e a alemã. E ambas por nomes de grande destaque, caso de Alessandro Baricco e Ingo Schulze. Eles estão para seus países assim como Pepetela e Chimamanda Adichie para Angola e Nigéria; como Martin Kohan para a Argentina; como Inês Pedrosa para Portugal ou Zoë Heller para a Inglaterra: são, nas respectivas gerações, autores que figuram entre os mais representativos e herdeiros incontestes do melhor de cada tradição literária.
Além do maior mosaico de escritores e países, alguns campos afins à literatura surgem neste ano com grande destaque: é o caso da psicanálise, com Elisabeth Roudinesco; da História, com Tony Judt; da grande reportagem, com Misha Glenny e Caco Barcellos; da biografia, com Humberto Werneck; da música, com Lorenzo Mammì e Carlos Lyra; das adaptações literárias para tevê e cinema, com Luiz Fernando Carvalho; da verve boêmia de Xico Sá; do ensaísmo provocador de Pierre Bayard.
A diversidade de áreas não aparece apenas na escalação eclética dos convidados, mas sobretudo na montagem das mesas, que pretende favorecer a troca de experiências distintas. Exemplo disso é a que reúne Neil Gaiman, talvez o autor de maior prestígio no mundo dos quadrinhos, e o romancista Richard Price, recentemente alçado à condição de principal nome da prosa urbana norte-americana com seu livro mais recente. É também o caso do encontro entre a cineasta argentina Lucrecia Martel, célebre pela inventividade dos roteiros, e do romancista gaúcho João Gilberto Noll, cuja obra premiada destaca-se igualmente pela ousadia narrativa e pelos experimentos com a linguagem.
O diálogo mais intenso com outras áreas não significa um desvio de rota. Pelo contrário: a literatura segue, mais do que nunca, a razão de ser da FLIP. A questão é estimular o encontro com os diversos campos do saber que ao longo das últimas décadas vêm impondo um constante e frutífero desafio aos escritores. É a esse espírito interdisciplinar que responde a presença na FLIP de alguns dos intelectuais mais versáteis e respeitados do país, caso de Roberto Schwarz, Rodrigo Naves, Contardo Calligaris, Modesto Carone, José Miguel Wisnik, Roberto DaMatta, Marcelo Coelho, Sérgio Paulo Rouanet, Flora Sussekind. Todos firmaram-se no ambiente letrado brasileiro a partir da incorporação de diversas tradições intelectuais.
Não se pode esquecer que em sua curta existência a FLIP consolidou-se como uma chancela de qualidade sem par no Brasil. Também em razão da excelência dos autores que sempre abrigou, não depende apenas de mirar em nomes inteiramente consagrados: pode também apostar em autores que reúnem todas as qualidades para tornar-se as unanimidades do futuro: é o caso de Emilio Fraia, Vanessa Bárbara, Michel Laub e Adriana Lunardi, que em diálogo com João Moreira Salles compõem a mesa dos novos autores da FLIP. É o de Cíntia Moscovich e Vitor Ramil, autores gaúchos que despontaram nos últimos anos como vozes de destaque em sua geração. É também o caso de Nathan Englander, norte-americano selecionado pela New Yorker para figurar entre os vinte autores para o século 21.
Como nos anos anteriores, a programação principal ocorre na Tenda dos Autores e será transmitida ao vivo na Tenda do Telão. Enquanto isso, uma sucessão de eventos acontece simultaneamente, em diversos locais. A Oficina Literária, este ano dedicada ao roteiro cinematográfico e ministrada por Karim Aïnouz e Lucrecia Martel, dá continuidade à tradição da FLIP de trazer para a Festa um braço educativo que dialoga com a programação principal. Há uma programação exclusiva para as crianças a FLIPINHA , numa outra tenda, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. E haverá o FLIP ETC., com uma programação variada, em que os diversos eventos em homenagem a Machado de Assis misturam-se a lançamentos de livros, palestras e exibições de filmes.
Idealizada pela editora inglesa Liz Calder em conjunto com a Associação Casa Azul, presidida pelo arquiteto Mauro Munhoz, a FLIP vem contribuindo para a revitalização dos espaços públicos de Paraty. Escolhida como modelo em turismo cultural, Paraty foi recentemente incluída no projeto Destinos Indutores, previsto no Plano Nacional de Turismo 2007-2010, do Governo Federal, como um dos dez Destinos-Referência: segundo a EMBRATUR, a cidade ocupa a 11ª posição no ranking de visitação de estrangeiros.
E é a Paraty que tudo se deve. Não fosse pelo charme da cidade e pela acolhida de seus moradores, nada disso seria possível. Bem-vindos à FLIP 2008.
A FLIP 2008 contará com o patrocínio do Unibanco e da OI.
FLIP 2008
Data: De 2 a 6 de julho
Local: Centro Histórico de Paraty (RJ)
www.flip.org.br