Durante a década de 1920, o também chamado Largo do Circo era o picadeiro de onde o palhaço Piolin fazia piadas sobre a rotina na cidade e revelava aos espectadores menos favorecidos a opressão a que estavam submetidos. Em 1975, a antiga travessia do Paissandu foi transformada em Rua Abelardo Pinto, em homenagem ao maior palhaço brasileiro, em cujo aniversário, 27 de março, comemora-se atualmente o Dia Nacional do Circo. A mostra vem para esquentar os ânimos dos entusiastas do circo, enquanto esperaram o Centro de Memória do Circo, a ser inaugurado em breve na mesma galeria.
Composta por uma média de 120 imagens, entre peças gráficas e fotografias, a exposição está dividida em diversos núcleos, abrangendo Piolin, considerado pelos modernistas a maior ator cômico do país; o faquir Silki, os bastidores do circo e até mesmo as primeiras trupes de famílias japonesas a aportar por aqui. As fotos de Djalma Batista, Luis Alfredo, Max Rosenfeld e Peter Scheier e outros fotógrafos desconhecidos, foram reunidas pela ex-equilibrista Verônica Tamaoki, curadora da exposição. Saiba mais sobre a pesquisa: Pindorama Circus. Além das imagens, a exposição traz ainda uma maquete de circo feita pelo próprio Mestre Maranhão. Também acontecem todos os dias exibições do vídeo Largo do Paissandu: onde o circo se encontra, com direção do ator Marcelo Drummond, cada dia apresenta depoimentos de artistas e pesquisadores do circo (programação abaixo).
A trajetória do circo no Largo do Paissandu remonta às últimas décadas do século XIX, com os chamados circos de cavalinho, que tinham esses animais como atração principal. O século XX, por sua vez, ficou marcado pelo café dos artistas, encontro dos artistas circenses às segundas-feiras, folga de classe, em um café que até então funcionara no antigo Largo do Rosário, atual praça Antônio Prado, e que passou a ser realizado ao lado da Galeria Olido. As temporadas dos Circos Irmãos Queirolo e Alcebíades, nas quais reinou o palhaço Piolin, marcaram o auge do circo no Paissandu, na década de 20. Em seguida veio a crise, quando as lonas passaram a disputar com a construção civil os terrenos do centro da cidade.
Quando, em 1986, Verônica Tamaoki começou a investigar as trilhas percorridas pelo circo nacional, seus motivos eram estritamente pessoais. De jornalista que acabou adotando a carreira de saltimbanco, ela passou a dona de escola de circo a Picolino, que até hoje funciona em Salvador e então a pesquisadora e escritora de livros sobre o tema. Em 2000 ela publicou o romance O Fantasma do Circo e em 2004 saiu o aclamado Circo Nerino, que teve como co-autor Roger Avanzi, o palhaço Picolino, filho do fundador daquele que foi, ao lado do Garcia, o maior circo do Brasil. O sucesso deste último rendeu a ambos uma indicação ao Prêmio Jabuti na categoria de reportagem-biografia em 2005. Foram nove anos de pesquisa durante os quais Verônica contou com a ajuda de muitas gerações circenses. Recebi o acervo do Circo Garcia para fazer o mesmo, foi aí que surgiu a documentação para o Centro da Memória do Circo, conta Verônica.
Revistas, microfilmes, cartas, livros e fantasias são algumas das relíquias que poderão ser encontradas no Centro de Memória do Circo, na Galeria Olido. A aquisição dos três maiores acervos da mostra Circo Garcia, Nerino e acervo pessoal da Verônica está em andamento e prevê o investimento de cerca de R$ 100 mil pela Prefeitura. Também integrará a exposição permanente o patrimônio levantado no Paissandu pela pesquisadora, além de doações de famílias circenses.
Exposição: Largo do Paissandu, onde o circo se encontra.
Até 27 de Julho – Entrada Franca
Local: Galeria Olido (Mezanino) – Avenida São João, 473 Centro – Tel.: 33318399 / 3334 0001.
(Metrô República / Metrô São Bento)
Segunda-feira das 12h às 19h; Terça-feira a Sábado das 12h às 21h30; Domingo das 12h às 19h30
Realização: Prefeitura do Município de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura, Departamento de Expansão Cultural & Pindorama Circus.
Apoio: Centro Cultural São Paulo / GAPP Design, Folhapress, MIS – Museu da Imagem e do Som, Arquivo histórico Judaico Brasileiro e O Autor na Praça.