Em dezembro, a TV Bahia emissora cabeça da Rede Bahia de Televisão, afiliada Globo insere a capital baiana na era da TV digital, considerada a maior revolução do meio de comunicação desde o padrão em cores. Já foram investidos R$ 8 milhões no projeto e, nos próximos cinco anos, a Rede Bahia de Televisão ainda empregará mais R$ 32 milhões para levar a cobertura digital a todo o interior do Estado, por meio das suas outras cinco emissoras. Salvador é a primeira cidade do Norte e Nordeste a receber a tecnologia, que abre um leque de novas possibilidades à TV aberta e gratuita no Brasil.
Aliado à altíssima resolução de som e imagem, que ganha uma qualidade impensável sobre o sistema analógico atual, a TV digital possibilitará novos recursos de mobilidade e portabilidade. Uma série de equipamentos e dispositivos de recepção portáteis como minitelevisores, pen TVs para computadores, celulares e TVs de bolso permitirão que as pessoas assistam TV em locais que hoje não são habituais, como automóveis, ônibus, praias etc. A idéia da TV móvel é integrar todas as pessoas que estão fora de casa à audiência. É uma forma de universalizar a televisão, dar acesso a todos e em qualquer lugar, frisa Antonio Paoli, diretor de Tecnologia da Rede Bahia. Essa mudança de hábito na forma de ver TV também vai influir diretamente no varejo, que deve se preparar para a demanda pelos novos produtos e aparelhos.
Paoli também chama atenção para a gratuidade da TV móvel. A recepção do canal nos dispositivos móveis é inteiramente grátis. Na era digital, a TV aberta continuará a ser o único meio de entretenimento livre, aberto e gratuito do país, diz. Quanto aos aparelhos adequados para receber o sinal digital em casa, Paoli explica: o primeiro passo é ter uma antena UHF instalada em casa ou no prédio. Quem tiver um televisor convencional analógico, acima de 14 polegadas, ou aparelhos de plasma ou LCD, deve adquirir um conversor digital. Os aparelhos full HD (high definition), que estão chegando ao mercado, são os mais recomendáveis e não necessitam de conversor de imagem.
Até janeiro, a TV Bahia oferecerá um recurso até então disponível somente nos canais de TV por assinatura, o EPG (Guia de Programação Eletrônica). Com isso, o telespectador terá acesso a sinopses e conteúdo completo da programação do dia. Entre as aplicações da TV digital ainda em estudo e desenvolvimento no país estão as ferramentas do campo da interatividade. Por exemplo, será possível ver diferentes ângulos de câmera de uma mesma cena ou a partir de um toque no controle remoto ter acesso a todas as informações sobre os times em campo durante a transmissão de um jogo de futebol. Existem recursos ilimitados a serem explorados pela TV digital. Contamos com a criatividade dos brasileiros para criar novas formas de utilização, finaliza.
Entenda a tecnologia
São muitas as dúvidas ao redor de toda nova tecnologia. Na essência, o que muda com a TV digital é a transmissão ao receptor, que antes era no padrão analógico e agora passa a ser digital. Vale frisar que o padrão digital é brasileiro, construído com base no padrão japonês criado em 2001 e aperfeiçoado até 2007. Hoje é considerado um dos melhores do mundo, destaca Paoli. No modo analógico, as ondas de transmissão são suscetíveis a diversos tipos de interferências, responsáveis por ocasionar os conhecidos chuviscos na imagem, ruídos, fantasmas. Já no digital, a imagem é transformada em códigos numéricos, algo semelhante à transmissão de dados por computador, fato que impede qualquer tipo de interferência. Ou seja, no digital só existem duas opções: ou a imagem chega perfeita ou não chega.
Essa é a grande vantagem no digital: as imperfeições são zeradas por completo. A imagem transmitida para o aparelho receptor estará intacta, igual a que é vista nos monitores dos estúdios de TV, diz Paoli. A partir desse primeiro recurso, perfeição de imagem, outros produtos podem ser desenvolvidos, como a mobilidade, que já entra em funcionamento e, futuramente, a interatividade. De acordo com a Anatel, o prazo para a substituição do sistema analógico pelo digital em todo o país é 2016. Até lá, os dois sistemas operarão simultaneamente e quem não quiser trocar de aparelho ou adquirir o conversor vai poder continuar a assistir à TV Bahia como sempre, sem nenhuma modificação.
Campanha tira dúvidas de telespectadores e mercado
Para informar ao público em geral sobre a nova fase da televisão, a TV Bahia investiu numa ampla campanha de comunicação. Propaganda, conteúdo jornalístico, eventos, internet e canais diretos com o telespectador estão envolvidos no projeto de divulgação da TV digital, salienta Alessandra Franco, gerente de marketing e programação da TV Bahia. O primeiro passo é a veiculação de dois VTs produzidos pela Rede Globo, estrelados pelos atores mirins Bruna Marquezini e David Lucas, que exemplificam as vantagens da TV digital. O esforço de mídia se completa com anúncios no jornal Correio, em revistas do trade publicitário, além de veiculação dos VTs em salas de cinemas de Salvador.
Também será instalado em um grande shopping da cidade um estande demonstrativo com televisores e dispositivos aptos a receber o sinal digital e distribuição de folders informativos. Já os programas produzidos pela TV Bahia Aprovado!, Bahia Esporte, Mosaico Baiano, Rede Bahia Revista e telejornais estarão envolvidos no chamado cross conteúdo. Todos eles veicularão matérias sobre o tema produzidas de acordo com a linguagem e público-alvo de cada programa. Quem quiser obter informações sobre a TV digital já tem dois meios à disposição: o CAT (Central de Atendimento ao Telespectador), que funciona de segunda a sexta das 8h às 18h, através do número 3330-3003; e o site www.tvbahia.com.br/digital, com informações dirigidas a telespectadores, lojistas, técnicos e mercado publicitário.
Evento para publicitários
No dia 2 de dezembro, convidados do mercado publicitário baiano participarão do Workshop de TV Digital da TV Bahia, no Bahia Othon Palace, das 14h às 17h. Quatro representantes da Rede Globo Ricardo Esturaro, da Central Globo de Marketing, Celso Araújo, da Central Globo de Produção, Arthur Vilella, da Central Globo de Engenharia e Francisco Viard, da área de Operações Comerciais discorrerão sobre temas como o impacto da TV digital no mercado publicitário e nas produções televisivas, da maquiagem ao cenário.