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Uma mistura que deu muito certo

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24/08/08

Sônia Araripe

 

No Brasil que se orgulha da jabuticaba, de Macunaíma e de ser o único país capaz de pronunciar a palavra saudade, há misturas para todos os gostos. Como chuchu com camarão. Ou manga com leite. Quiçá outras tantas inusitadas. O mesmo conceito de miscigenação deu origem a um povo multifacetado, de uma infinidade de cores, raças e estilos. Na cultura não poderia ser diferente. É samba com reggae. Pop com clássico. Funk com axé. Mas como ninguém ainda tinha pensado o óbvio? Quer algo mais natural e simples do que juntar no palco Roberto Carlos com Caetano Veloso?

Foi assim, desta mistura genial que nasceu um show sensacional, parte do Itaú Brasil, projeto patrocinado pelo banco que este ano homenageia os 50 anos da bossa nova. Com todo direito à rima pobre. Neste caso, perdoem os poetas, rica. Riquíssima. Um Theatro Municipal lotado, com cerca de 3 mil pessoas, acomodadas no velho jeitinho brasileiro de coração-de-mãe, que sempre cabe mais um, aguardou ansiosamente, na última sexta-feira (22 de agosto) o início do show em homenagem a Tom Jobim.

Não foi preciso esperar tanto: apenas 10 minutos de atraso. As celebridades eram tantas que os funcionários tiveram que acomodar várias cadeiras avulsas no fosso da orquestra. Touxeram mais e mais cadeiras para a lateral da platéia enquanto os artistas e famosos não paravam de chegar. Camila Pitanga, Regina Casé, Luiza Brunet, Carolina Dickemann, Paula Lavigne, Lázaro Ramos, Marcos Frota e tantos outros que renderiam uma nota à parte. O parceiro do “rei” desde os tempos da Jovem Guarda, de toda uma vida, Erasmo Carlos, chegou um pouco atrasado e quase fica sem o seu lugar.

Quando já não cabia nem mais um mosquito no secular recinto, apagam-se as luzes. Nelson Motta apresenta a noite. E entram, finalmente, em cena, nada mais, nada menos do que Roberto Carlos e Caetano Veloso. Com fama de supersticioso, o cantor capixaba vestiu azul para dar sorte. Azul da cor do mar. Com tênis branco, claro. Caetano envergava um terno cinza reto, no melhor estilo fashion.

Abriram a noite com Garota de Ipanema. “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…” E que graça. Os dois, timidamente, que nunca haviam cantado juntos no palco, foram tateando, encontrando o tom certo para melhor apresentar o maestro que lapidava acordes e, de quebra, era um defensor inabalável da natureza. Tom Jobim, se vivo fosse, teria orgulho de ver os dois juntinhos, cantando, se encontrando. Um cedendo ao outro espaço para encantarem juntos a platéia enebriada.

A claque vibrou. Na seguida, mais uma música e aí foi a hora de Caetano ficar sozinho com a orquestra de Cordas, regida pelo maestro Jacques Morelenbaum e seus músicos. Fosse outro ambiente – o Maracanã de jogos memoráveis – e haveria torcida para um. Depois para o outro. Como se fosse um Fla X Flu. No Municipal, o clima é diferente, tudo muito comedido, mas o favoritismo de cada estrela era reverenciado. “Lindo”, gritou a jovem sentada no Balcão Nobre. Para ser repreeendida pela sua vizinha, senhora discreta, certamente, torcedora do outro time, RC, ou melhor do fã-clube de Roberto Carlos.

Um Caetano mais recatado, quase tímido, como se isso fosse possível. Até um tanto perdido: mãozinhas simulando uma onda, risos e a perna se dobra no velho jeito Caê de ser. Seus fãs deliram.

Apresentou os músicos. Reverenciou o filho de Tom, Daniel Jobim, com seu chapéu panamá, lembrando muito o pai mais jovem. Sai aplaudidíssimo. Trocam as orquestras, o maestro.

Chega a vez do outro time, de RC. E a platéia vem abaixo. “Beto, eu te amo”, sussurra baixinho, quase como se estivesse em transe, uma senhora de seus 70 anos. Roberto cantou Tom com um estilo todo seu, moderno, solto, empolgado. Chorou em “Eu sei que vou te amar” e encorajou seu eleitorado a acompanhá-lo em várias melodias.

É incrível, mas ninguém nunca tinha pensado neste chuchu com camarão: Roberto Carlos tem 50 anos de carreira e 60 discos gravados, enquanto Caetano Veloso acumula 43 anos de estrada e 40 álbuns.

Imagens projetadas num imenso telão lembram Tom jovem. Também o Tom mais maduro. Sua família, sua genialidade. Remetem ao tempo de um Rio que não volta mais: do mate ou limonada no copinho de papel, carregado em galões de metal nas areias da praia; o emissário em Ipanema; a Montenegro; as garotas e garotos lindos, indo e vindo; o cachorro-quente Geneal, o sorvete do Moraes e tantas outras delícias. Um Rio seguro e limpo, com Lígia, Teresa da praia e tantas outras para se namorar, de mãos dadas até o Leblon. Sem nem um assalto.

Quase uma hora e meia de show. Inesquecível. Bárbaro. Sensacional. Duas músicas extras, o público de pé pedindo mais e mais. Nem mesmo a chuva fina assustava na saída.

Quem perdeu ainda tem tempo. Os próximos shows, em São Paulo, no Anhembi, serão nos dias 25 e 26 de agosto. E a Globo irá passar um especial em breve.


Para ouvir um pouco do show clique no link abaixo:

http://209.85.215.104/search?q=cache:Oxw9-EHeefMJ:g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL734180-7085,00.html+show+roberto+carlos+e+caetano+veloso+em+s%C3%A3o+paulo&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=2&gl=br

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