BENETTON CHIAROSCURO. LA DOLCE VITA

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Os anos 1950 foram de grandes esperanças. O fim da guerra, a reconstrução da Europa, o rock’n’roll e a construção de uma rebeldia que iria desaguar com mais força nos anos 1960, além do uso intensivo de novos tecidos, os sintéticos, e de muitas, no caso da Itália, muitas Lambrettas nas ruas. É o retorno a esse o momento, La Dolce Vita, chiaroscuro, que Benetton escolheu para apresentar sua coleção da dupla estação primavera-verão que começa este mês no Hemisfério Norte.

 


POR YUME IKEDA, DE TOKYO

O que Benetton promove é um resgate deslumbrante da felliniana “La Dolce Vita” dos anos 1950 transportada para os dias atuais. E o faz usando a arte do “chiaroscuro”, tão italiana quanto Federico Fellini. No claro, destacam-se suas cores, sempre vibrantes, ácidas, que atraem atenção para as roupas sempre com corte impecável, sobretudo a coleção feminina que surge solar em cenários deslumbrantes.
No escuro, onde residem os mistérios, o romance, o beijo furtuito, aquele padrão que se espera da “dolce vita”, do viver, do amar e, é claro, do comportamento masculino que Marcello Mastroianni imprimiu nos filmes, pois uma mulher se veste para ser olhada, por outras primeiramente, mas também para ser desejada, cortejada pelos homens sem fazer desses dois movimentos, é claro, uma regra, pois vivemos num tempo em que qualquer atitude mais acentuada pode ser considerada sexista.

A coleção masculina de Benetton, fortemente inspirada nos anos 1950, mostra claramente que a grife não abrirá mão de suas cores identitárias, aquelas que a tornou marca conhecida e respeitada no mercado global, mas que paralelamente está colocando os pés no tapete das passarelas da moda mais sofisticada, com corte legitimamente italiano aliado à descontração dos tons que sempre emprestou às suas coleções.

Benetton saúda “la dolce vita”, pois mesmo que possamos enfrentar todos os problemas, crises financeiras que arruínam sonhos, nunca vamos deixar de amar, comer e viver. Viver bem, sem dúvida, mas sempre ciente de que a vida é bela e a qualquer momento pode nos surpreender com experiência, que chiaro dos dias ou no escuro das noites possamos dizer: Valeu a pena! E sempre vale, é claro!.

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