Carolina Herrera, o luxo venezuelano

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Não é só Hugo Chávez que nasceu na Venezuela. Uma mulher que se tornou grife poderosa nos Estados Unidos e ganhou espaço na Europa também é venezuelana, de Caracas. Maria Carolina Josefina Pacanins y Nino de Herrera Guevara, que nasceu em 1939, ou simplesmente Carolina Herrera, como assinou a primeira coleção de roupas que exibiu em desfile em Nova York, em 1981, é uma mulher que dá o que falar no mundo da moda. Existem os que amam seu estilo sofisticado e os que o consideram barroco, mas ninguém fica indiferente às estampas de bolinhas e listras que ela tanto adora.

 

A idéia de lançar uma coleção surgiu do fato de estar sempre presente na lista das mais bem vestidas dos Estados Unidos. Então, ela aproveitou a deixa e passou a comandar uma equipe de costureiras para pôr em prática suas idéias e apresentar a amigas coleções com sofisticação e simplicidade porque ninguém veste, nas ruas, um conceito como aqueles que muitos costureiros apresentam em seus desfiles.

 

Tanto que na apresentação da coleção primavera-verão 2007, as modelos eram em grande parte urbanas, ao contrário de outros estilistas que, em seus desfiles, abusam da criatividade, mergulhado assim em mundos imaginários e modelos anoréxicas, com roupas jamais usáveis em vias urbanas, Carolina, apesar de suas criações bem comerciais, usa sua criatividade a serviço de uma moda que pode e deve ser usada por mulheres “normais”.

 

O próprio salto de Carolina Herrera é revelador do seu estilo. Conhecedora da adoração que Jacqueline Kennedy Onassis, começou a presenteá-la com roupas de sua coleção. Durante 12 anos, Jackie O. foi uma das principais divulgadoras do estilo Carolina Herrera e dos presentes, passou a ser grande compradora de coleções antes que estas chegassem às lojas. Jackie Onassis também encomendou a Carolina Herrera o vestido de casamento de sua filha Caroline, o que fez com que os vestidos de noiva são se tornassem um dos pontos fortes da grife que tem sua sede em Nova York.

 

O sucesso do primeiro prêt-à-porter da grife em 1981 foi o prenúncio daquilo que seria a marca de suas coleções: roupas sobrepostas utilizando tecidos variados em comprimentos diferentes. Melhor: a moda de Carolina Herrera, absolutamente contemporânea, como requer uma cidade cosmopolita como Nova York, pode ser usada tanto durante o dia como faz sucesso à noite, com pequenos acessórios, que também passou a vender.

 

Em 1981, ela também lançaria o primeiro perfume da grife, criado por Antonio  Puig, o  Carolina Herrera feminino ainda hoje é um clássico. Depois dele, veio o Carolina Herrera 212, em 1997, que se tornaria um dos perfumes mais conhecidos do mundo e dois anos depois ganharia a versão masculina.

 

Em 2000, Carolina Herrera, que até então vendia roupas saídas de seu ateliê e com coleções vendidas em lojas multimarcas, como hoje a Daslu brasileira é um exemplo, inaugura sua primeira loja própria na Madison Avenue, que se torna um ponto de difusão de seu estilo.

 

Por meio da CH Carolina Herrera Line, em 2001, conquista novos mercados e presença em redes de varejo como a londrina Harrods, ganhando ainda mais espaço no cenário global, onde os perfumes já eram vendidos em larga escala. No primeiro ano dessa incursão global, as vendas externas somaram US$ 100 milhões. No ano passado, em junho de 2006, Carolina Herrera abriu sua segunda loja, em Los Angeles e, por meio de diversos acordos, tem conseguido manter a grife nas vitrines da moda.

 

“O mercado de luxo exige a constante percepção e a troca, mantendo a qualidade dos produtos”, diz Carolina Herrera no site da grife (www.carolinaherrera.com). É a estratégia de oferecer roupas para pessoas normais e perfumes marcantes que fez da grife recente um sucesso. E a venezuelana tem sonhos de expansão tão “calientes” quanto os de Hugo Chávez, só que sonha e dorme com o luxo, como o que ostenta a sua recém-inaugurada loja de Los Angeles e que ilustra esta seção.

 

(Tiago Ribeiro)

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