CORONAVÍRUS: TEMPESTADE DE VÍRUS AINDA PAIRA SOBRE A EUROPA

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Do portal ONU Brasil

As nuvens de tempestade da COVID-19 ainda pairam pesadamente sobre a Europa, disse um especialista sênior da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (16), com casos registrados nos últimos dez dias dobrando para quase 1 milhão. O continente agora responde por 10% do total global.

“Infelizmente, mais de 84 mil pessoas na Europa perderam a vida devido ao vírus”, disse Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, durante coletiva de imprensa da capital dinamarquesa, Copenhague.

Dos dez países da região com o maior número de casos, houve alguns sinais otimistas, com números diminuindo em Espanha, Itália, Alemanha, França e Suíça nas últimas semanas. No entanto, esses ganhos são moderados pela incidência sustentada – e até crescente – em Reino Unido, Turquia, Ucrânia, Belarus e Rússia.

Próximas semanas serão críticas

“As próximas semanas serão críticas para a Europa”, disse ele. “Não se engane, apesar deste clima de primavera, continuamos no meio de uma tempestade.” É imperativo que as pessoas não baixem a guarda, salientou.

Como o distanciamento físico e os bloqueios para retardar e interromper a transmissão da COVID-19 estão afetando vidas e meios de subsistência, ele disse que os governos e as autoridades de saúde devem encontrar respostas para identificar quando, sob quais condições e como considerar uma transição segura por meio de uma mudança gradual nas medidas.

Número de casos é “alarmante e trágico”, diz chefe da OMS

Fornecendo uma perspectiva global, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que quase 2 milhões de casos de COVID-19 foram relatados ao organismo mundial de saúde. Mais de 123 mil pessoas morreram, um aumento “alarmante e trágico” desde o balanço da semana passada.

Ele descreveu a atualização da estratégia da OMS para os países que consideram levantar restrições sociais e econômicas. Cuidado extremo deve ser tomado, disse. “Se feito muito rapidamente, corremos o risco de um ressurgimento que pode ser ainda pior do que a nossa situação atual”, alertou.

Controle da transmissão é fundamental

Em primeiro lugar, a transmissão deve ser controlada. As capacidades do sistema de saúde devem estar presentes para detectar, testar, isolar e tratar todos os casos e rastrear todos os contatos.

Além disso, ele disse que os riscos de surtos devem ser minimizados em locais como unidades de saúde e asilos, e medidas preventivas devem ser tomadas para locais de trabalho, escolas e outros onde é essencial que as pessoas possam ir.

Também é vital que os riscos de importação sejam gerenciados e que as comunidades sejam totalmente educadas, engajadas e capacitadas para se ajustarem à “nova norma”.

Enquanto isso, a OMS lançou na semana passada a Força-Tarefa da Cadeia de Suprimentos das Nações Unidas – com o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e outros parceiros – uma cadeia de suprimentos de emergência projetada para cobrir mais de 30% das necessidades do mundo na fase aguda da crise. Ele terá hubs em oito países e mobilizará 16 aeronaves Boeing 747 de carga média, além de aviões de passageiros.

Tedros afirmou que milhões de suprimentos serão enviados todos os meses, incluindo equipamentos de proteção individual, respiradores, equipamentos de laboratório e oxigênio, além de equipe médica e técnica. O primeiro voo de solidariedade decolou em 14 de abril.

Observando que o WFP estima que 280 milhões de dólares sejam necessários para cobrir os custos de armazenamento e movimentação de suprimentos, o chefe da OMS declarou que os custos de aquisição serão muito maiores, e instou os doadores a apoiarem esse sistema de vital importância.

Tedros respondeu também a notícias imprecisas da mídia sobre a visão da OMS em relação à reabertura de mercados úmidos na China.

Segundo ele, permanece a posição da agência de que todos os setores afetados pela COVID-19 – incluindo mercados de alimentos na China e no mundo – devem garantir sistemas reguladores fortes, altos padrões de limpeza, higiene e segurança, uma vez que estiverem em posição de retomar gradualmente as atividades normais.

Além disso, disse que os governos devem aplicar rigorosamente as proibições à venda de animais silvestres, bem como normas de segurança e higiene alimentar para garantir que os alimentos vendidos nos mercados sejam seguros.

A OMS forneceu orientação e apoio aos países para garantir mercados seguros e saudáveis ​​- inclusive para empresas alimentares sobre COVID-19 e sobre segurança dos alimentos em mercados de animais vivos.

A agência trabalha em estreita colaboração com a Organização Mundial de Saúde Animal e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) desde o início do surto, para prevenir doenças zoonóticas em todos os setores envolvidos, acrescentou Tedros.

Violência em meio ao distanciamento social

Falando amplamente sobre os desafios futuros, o ex-ministro da Saúde da Etiópia e cientista altamente qualificado manifestou preocupação sobre informações de atos de violência como resultado de medidas de distanciamento social.

Enquanto isso, as escolas fecharam para cerca de 1,4 bilhão de crianças no mundo todo. E houve quatro novos casos de Ebola na República Democrática do Congo desde 10 de abril, após 54 dias sem um novo caso.

No entanto, a OMS está comprometida em trabalhar com todos os países para encontrar soluções sob medida para interromper a transmissão, disse ele, assegurando a continuidade dos serviços de saúde essenciais e mitigando os impactos sociais e econômicos da pandemia. “Somente trabalhando juntos, controlaremos essa pandemia”, garantiu.

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