CORONAVÍRUS: A IMAGEM DO EXÉRCITO EM RISCO

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A crise provocada pelo coronavírus, o COVID-19, tem tudo para deixar arranhada a imagem do Exército Brasileiro, tanto do ponto de vista político, por integrar o governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, como social, pelo fato de alguns de seus integrantes de alto escalão, ainda que na reserva, serem incapazes de responderem às missões que justificam a sua existência enquanto integrante das Forças Armadas, sendo as duas principais a defesa da Pátria e dos preceitos constitucionais, o que significa os três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Para os que não se lembram ou essa duas missões parecem algo a figurar apenas na Constituição Cidadã de 1988, qualquer dicionário é capaz de evocar a importância dos dois conceitos e que justificam o pesado investimento da sociedade brasileira para manter tanto os integrantes da ativa como da reserva além dos equipamentos para suas operações militares:

PÁTRIA – 1. país em que se nasce e ao qual se pertence como cidadão; terra, torrão natal.

É essa a primeira definição presente em todos os dicionários, ainda que se troque uma palavra por outra sem alterar a essência da ideia, do seu conceito, é o que revela esta missão. E Pátria é o conjunto de todos aqueles que a habitam. É bom que repita: de todos, sem descriminação a mínima que venha a ocorrer, é de TODOS. Todas as vezes, em qualquer lugar do mundo ou em qualquer tempo, que Forças Armadas fugiram desse preceito se viram, literalmente, na lama, desgastadas e desvinculadas da sociedade.

Já a segunda missão essencial para a sua manutenção, que a defesa dos Três Poderes e da normalidade democrática tem a ver justamente com a primeira, a defesa da Pátria.

Com militares, sobretudo do Exército, ocupando cargos no governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, essa responsabilidade e o papel a que às Forças Armadas foi confiado pela Constituição Brasileira é ainda mais relevante.

É de se esperar que as Forças Armadas não deixem de lado as missões que justificam a sua existência por atos golpistas que busquem fragilizar a democracia reconquistada pela Pátria a qual juram defender.

É papel das Forças Armadas chamarem à razão (e contam com mecanismos legais para isso) os integrantes do Exército Brasileiro que arranham a imagem da corporação como um todo a exemplo do destrambelhado general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira, autor de uma inominável agressão verbal ao Congresso, o Legislativo que por preceito constitucional deveria defender e respeitar: “Nós não podemos aceitar esses caras (os integrantes do Legislativo) chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”.

Não general, quem se fodeu (para usar seu vocabulário chulo) foi não apenas a sua imagem, mas também a do Exército Brasileiro, ao qual é integrante da reserva, ao chutar para escanteio uma das missões que às Forças Armadas foi confiada. É como se um jogador do Vasco da Gama, time do qual é torcedor e integrante do clube, ignorasse as regras do jogo quando a derrota no campo democrático parece certa. É nesses momentos que as regras devem ser preservadas, tanto de um país como de um clube de futebol, pois são elas a base legal para a continuidade do jogo, sem golpes e sem tapetões.

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