O MINISTÉRIO DAS COISAS TÍPICAS SEGUNDO FREDERICO DALTON

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Talvez, se fôssemos mais “típicos” o Brasil melhorava. Eu, como carioca, deveria hospedar em minha casa um português fugido de Napoleão, deveria reflorestar a Tijuca, deveria me apaixonar por um escravo; os goianos, sentarem-se em círculos para recontar as estórias dos Bandeirantes; e os catarinenses, se espantarem com tudo, como um imigrante alemão recém-chegado, pobre, sujo e de cansados olhos azuis.

Talvez, se fôssemos mais “típicos” o Brasil melhorava. Eu, como carioca, deveria vestir-me como um malandro, dançar o samba na Praça Onze e surfar com os meninos da favela; os paraibanos, como Zé Ramalho, estariam sempre sérios, filosofando sobre um “Chão de Giz”; os cearenses, chegariam em jangadas; os mineiros, em marias-fumaça; os brasilienses em caravanas; e os gaúchos em grandes cavalos.

Talvez, se fôssemos mais “típicos” o Brasil melhorava. Eu, como carioca, deveria ir mais à praia, caminhar descalço nas pedras antigas das calçadas do Centro e esperar navios na Praça Mauá; os amazonenses, penetrar as florestas e clamar por Tupã; os paulistas, dançar catira no mato, fingir que são Adoniran e apreciar decolagens de aviões; e os baianos, vestirem-se como nas fotos de Pierre Verger…

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