PEA REVELA O LADO “NADA FOFO” DO MERCADO PET

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A organização não-governamental Projeto Esperança Animal (PEA) acaba de lançar surpreendente campanha, assinada pela agência Leo, Burnett Tailor Made, em que mostra a dura realidade por trás do comércio de pets. O filme “Nada Fofo” faz uso de bichos de pelúcia para mostrar a dura realidade dos animais criados especialmente para a procriação. Feito o alerta, PEA busca estimular a adoção de animais, muitos deles abandonados pelos donos, que os compram por impulso, sem buscar saber as características do animal e se elas atendem as expectativas. Resultado: muitos acabam sendo abandonados. PEA reconhece o drama, afinal quem nunca se derreteu ao ver um filhotinho de cachorro?. Praticamente todo mundo fica com vontade de levar para casa. Mas o que ninguém sabe é que o que acontece até o cãozinho chegar à vitrine do pet shop ou ao canil não é nada fofo. Assista ao filme e entenda por que você deveria adotar um filhote em vez de comprar. 

Embalado por uma trilha estilo musical da Broadway, entoada pelos cães que protagonizam as cenas, o enredo do filme mostra que muitos destes animais são provenientes de “criadores” clandestinos; e como eles não tem número de série, é impossível identificar a procedência. “A campanha criada visa conscientizar as pessoas, que muitas vezes são tão vítimas quantos os cachorros, por não saberem do que se passa, para se atentarem à origem do animal e também para a crueldade das fábricas de filhotes”, ressalta João Caetano, Diretor de Criação da Leo Burnett Tailor Made.

O filme mostra ainda que para aumentarem seus lucros, muitos criadores de cães mantém os animais em espaços minúsculos, sem higiene e cuidados médicos adequados, e submetem as matrizes a maus-tratos, comprometendo a saúde dos filhotes, que são vendidos pela internet e em pet shops.

Estimativas da PEA apontam que somente na grande São Paulo são mais de 500 mil cães e gatos vendidos por ano, provenientes de criadouros clandestinos. No mundo, mais de 280 mil cães, entre machos e fêmeas, são mantidos em cativeiro para reprodução e mais de 3 milhões sofrem eutanásia por ano, de acordo com a Humane Society.

“Comprar um cão de raça pode não ter nada de fofo e, em muitos casos, ele é abandonado após a compra. A adoção pode ser um incentivo para acabar com esta prática ilegal. É o que pretendemos mostrar no filme”, complementa Alexandre Pagano, Diretor de Criação da Leo Burnett Tailor Made.

A campanha foi criada voluntariamente pela Leo Burnett Tailor Made para a PEA e o plano de mídia contempla ações em mídia digital. Em paralelo à produção do filme, foi desenvolvida uma ação social, que visa impactar influenciadores, artistas e a população em geral simpatizantes à causa e aderirem ao movimento, compartilhando a hashtag #nadafofo.

 

ABANDONO

Segundo o IBGE, o Brasil é o quarto país com maior população de animais de estimação, com 132 milhões; e o segundo em número de cães domiciliados, com 52 milhões, em 2013. A Organização Mundial da Saúde estima que só no Brasil existam mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo 20 milhões de cães. Em cidades de grande porte, para cada cinco habitantes há um cachorro. Destes, 10% estão abandonados. No interior, em cidades menores, a situação não é muito diferente. Em muitos casos, o número chega a 1/4 da população humana.

“Muitos filhotes de raça vendidos nas ruas se tornam lindos vira latas quando adultos. Os animais nascidos nesses ambientes de absoluto maus-tratos são embelezados e expostos em praças públicas ou nas calçadas da cidade, dentro de caixas, engradados, cercados improvisados ou mesmo no porta malas de carros. Essa prática ainda contribui para uma compra por impulso, que acarreta no aumento do abandono de animais, uma vez que se tornam um problema para a família quando começam a crescer. Ter um animal envolve um planejamento familiar”, comenta Gabriela Toledo, Médica Veterinária, Fundadora e Presidente da PEA.

Em abril do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que torna crime atentar contra a integridade física ou mental de cães e gatos. Atualmente, a legislação pune com detenção em regime aberto ou semiaberto de três meses a um ano quem comete maus-tratos, fere, ou mutila qualquer tipo de animal. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a violência provocar a morte do bicho. Pela proposta, a pena para quem matar algum desses animais será de 1 a 3 anos de detenção e pode ser aumentada em um terço se o crime for cometido com emprego de veneno, fogo, asfixia, espancamento, arrastadura, tortura ou outro meio cruel; e dobrada, caso se reúnam mais de duas pessoas para a prática do crime ou quando ele seja cometido pelo proprietário do animal. A proposta também torna crime o abandono de cães e gatos, com pena de detenção de 3 meses a um ano.

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