RIO 2016: HOMENAGENS NO CAMINHO DA TOCHA

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Por Léo Rodrigue/Repórter da Agência Brasil

Nem  só de protestos políticos se fez o percurso da tocha olímpica que acenderá a pira de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 pela capital mineira, Belo Horizonte. O que também chamou a atenção foram as homenagens àqueles escolhidos para carregar o fogo olímpico. Na Praça Raul Soares, no centro da cidade, um grupo de idosos prestava homenagem a Lenisse Germânia. Ela foi escolhida para transportar a tocha em reconhecimento ao trabalho feito no grupo de convivência da terceira idade Realce a Vida. Criado em 2000, trata-se de um projeto voltado para o fortalecimento do Estatuto do Idoso. Os participantes integram grupos de cantigas de roda e teatro e se apresentam em escolas, asilos, faculdades e outros espaços. “Estamos todos com uma bandeira branca porque a Lenisse é muito da paz”, afirmou a aposentada Marlene Soares.

Lenisse Germânia agradece homenagem realizada com bandeiras brancas
Lenisse Germânia agradece homenagem realizada com bandeiras brancas. Foto: Léo Rodrigues/Agência Brasil

Na Rua da Bahia, judocas de quimono ovacionavam o mestre Shihan Galileu, outro que também foi selecionado para carregar a tocha. A estudante Gabriela Martins da Rocha saiu de São José da Lapa, a cerca de 40 quilômetros da capital, para participar do evento. “Decidimos vir com o nosso uniforme de judô, que é a nossa essência. O Brasil inteiro está de olho no trajeto da tocha, e eu fico lisonjeada de ver meu professor levando ela, simbolizando a união dos povos”, disse. Ela aposta no sucesso do judô brasileiro na Olimpíada do Rio e se inspira em Sarah Menezes. “Eu sou apaixonada por essa mulher. Admiro demais o judô dela”, afirmou.

Entre os integrantes do revezamento da tocha olímpica, em Belo Horizonte, também estavam famosos como a cantora Paula Fernandes, o ex-jogador de vôlei Nalbert Bittencourt e a atual jogadora de vôlei Sheila Castro. Os patrocinadores do ritual – Bradesco, Coca-Cola e Nissan – selecionaram outros participantes entre aqueles que se inscreveram por meio da internet e pessoas que desenvolvem projetos sociais nas cidades. Em todo o Brasil, a tocha deverá passar pelas mãos de 12 mil pessoas.

Nas mãos da cantora Paula Fernandes, tocha chega à Igreja São Francisco, projeto de Oscar
Nas mãos da cantora Paula Fernandes, tocha chega à Igreja São Francisco, projeto de Oscar Niemeyer. Foto: Léo Rodrigues/Agência Brasil

O evento na capital mineira teve como destino final a Praça da Estação. Um show da banda mineira Jota Quest encerra a programação.

Espírito olímpico

Para alguns, acompanhar a tocha se transformou num evento familiar. O médico Luiz Fernando dos Santos foi acompanhado de mulher e dos filhos. Segundo ele, é importante apresentar o espírito olímpico às crianças. Quem aprovou a ideia foi Luiz Felipe dos Santos, de 11 anos. “Achei legal que um tanto de gente veio só para ver a tocha. Mas não é só uma tocha, ela simboliza todo o evento e o espírito das olimpíadas”.

A tocha olímpica faz referência ao fogo que queimava em homenagem à deusa Hera durante os Jogos de Olímpia, na Grécia Antiga. Nas olimpíadas modernas, o ritual de revezamento da chama teve início em 1936, quando o evento esportivo ocorreu em Berlim, capital da Alemanha. O objetivo era estabelecer um elo entre os jogos da antiguidade e os jogos contemporâneos. Por isso, a tocha é acessa em uma cerimônia na Grécia e depois levada para o país-sede. Ao longo dos anos, a chama olímpica se consolidou como símbolo de paz, união e amizades entre os povos.

Para a pedagoga e artista plástica Ângela Rosalina Silva, acompanhar o evento é um ato de patriotismo. Para ela, é também uma forma de prestar apoio aos atletas brasileiros. “O esporte no Brasil é muito pouco valorizado. Então acho importante fazer um esforço para prestigiar e mandar nossas energias para os atletas que vão representar o país”.

Trajeto

Nesta edição, a tocha passará por 300 cidades brasileiras ao longo de três meses. O destino final é o Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, que sediará a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos 2016 no dia 5 de agosto. No evento, a tocha será usada para acendimento da pira olímpica.

Tocha olímpica chegando à Praça da Liberdade
Tocha olímpica chegando à Praça da Liberdade. Foto: Léo Rodrigues/Agência Brasil

O ritual de passagem de chama olímpica teve início no dia 3 de maio em Brasília. Em Minas Gerais, a primeira cidade a receber o fogo olímpico foi Araguari (MG), no dia 7 de maio. Antes de chegar a Belo Horizonte, outros 26 municípios a recepcionaram. O próximo destino é a cidade histórica de São João del-Rei (MG). De lá, o revezamento fará um percurso em um trem Maria Fumaça até Tiradentes (MG). Depois os destinos são Barbacena (MG), Juiz de Fora (MG), Bicas (MG), Leopoldina (MG) e Muriaé (MG), quando se encerra o percurso em solo mineiro.

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