ESTUPRO COLETIVO NO BRASIL: VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO!!!

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Por Mariana Stofel*

Lembro-me de estar em casa, sentada no sofá, assistindo a uma cena de Larissa, personagem de Grazi Massafera em “Verdades Secretas” (minissérie da TV Globo). A moça, usuária de crack, estava sendo estuprada por dezenas de homens em uma cracolândia. Uma cena que me arrepiou a alma, me fez fechar os olhos para não ver; chorei copiosamente. Naquele momento, me senti Larissa. E, para tentar ficar bem, pensei: isso é apenas ficção.

Então, esta semana, no mesmo sofá, deparei-me com o terror da realidade. Uma menina, de 16 anos, viveu o drama de Larissa e de tantas outras mulheres pelo nosso país. Foi friamente violada, machucada, usurpada, destruída e teve a sua dor amplamente divulgada, sendo alvo de piadas e provocações covardes. Por mais de 30 homens. De 30 pênis. De 30 crianças que cresceram sob as asas de uma sociedade patriarcal, cruel, covarde e assassina com nós mulheres. E, dessa vez, eu não pude fechar os olhos para não assistir à cena. Dessa vez, não era ficção. Tive que encarar a dor cortante de me imaginar no lugar dessa adolescente. Mãe de um menino de três anos. Já devastada pela sociedade machista e estupradora. Já com um filho que é fruto do abuso do corpo de uma menina de apenas 13 ANOS.

Li tanto sobre o caso, tentei digerir. Ainda não consigo. Não consigo falar sobre o assunto sem levantar a voz. Sem ficar agressiva. Meto-me em todas as rodas de assunto sobre isso. Ainda não consegui digerir. Não consigo. Não consigo digerir. Penso na propaganda política do PMB (Partido da Mulher Brasileira) que é apresentada POR UM HOMEM. Penso, tá tudo errado. TUDO ERRADO. Não estamos verdadeiramente conquistando nada. Nós, mulheres, ainda somos uma sombra, um objeto, uma conquista mesquinha e barata. Para os homens, ainda somos MENOS. E se não formos belas, recatadas e do lar, estamos “pedindo” para sermos as próximas vítimas.

Passo todos os dias pela mesma banca de jornal onde um senhor se acha no direito de me “admirar” abusivamente. Eu, ao passar por lá novamente, já não serei a mesma. Não abaixarei a cabeça como faço diariamente. Não vou colocar o fone nos ouvidos pra fingir que não estou ouvindo as “gracinhas”. Não aceito mais e espero que nenhuma de vocês aceitem mais. Simplesmente, falem. GRITEM, reclamem. E se te acharem louca, enlouqueça o dobro! Mas, PELO AMOR DE TUDO, não se anulem. Não sejam coniventes, não se permitam acovardar. NUNCA MAIS!

Por mim, por você, pelas Larissas, Marias, Camilas e por todas as nossas filhas, mães, irmãs, cunhadas, amigas, chefes, tias, primas, avós. Vamos JUNTAS desconstruir a cultura do estupro. E como disse sabiamente a nossa querida Jout Jout, VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO!!!!!!

*Mariana Stofel é jornalista

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