ÉTICA, UMA VIRTUDE EM FALTA NAS EMPRESAS

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Por Eduardo Person Pardini*

Acho que nunca se falou tanto em ética como nestes últimos meses.  A todo o momento somos bombardeados por notícias sobre desvios éticos em todos os ramos da sociedade, tanto no ambiente corporativo como no mundo governamental.

Ética é o conjunto de hábitos, que, de forma equilibrada, permite um convívio saudável entre os componentes de uma sociedade.  Na Grécia, ética era definido como conjunto de regras de conduta que permite relacionamentos harmoniosos. Ela é uma virtude que tem suas regras definidas na sociedade, pelas leis ou pela religião.

No corporativo os valores éticos deveriam ser o norte de toda a operacionalidade da organização, seja nos relacionamentos internos ou externos. Contudo, fazendo a leitura de uma pesquisa realizada pela KPMG, sobre ética e compliance, nada menos do que 43% das empresas pesquisadas afirmaram não possuir programa ou política alguma de compliance e ética. Além disto, daquelas que têm um programa, 34% afirmaram que contam apenas com uma estrutura mínima de ética e compliance.

Precisamos observar que, historicamente, a decadência de uma sociedade acontece quando a ética passa a não ser observada, isto é: quando os membros desta sociedade não dão o devido valor a esta virtude.

O mesmo acontece em uma empresa quando a ética passa a ser um atributo menos importante no relacionamento entre os stakeholders. Não é isto que estamos vivenciando hoje?

E qual a razão de estarmos passando por isto no ambiente empresarial?

Primeiro porque uma grande parte da sociedade perdeu esta referência, criando um viés negativo em seu caráter e, de forma racional, para ganhar e ter o poder tudo é permitido.  

Uma sociedade empresarial é formada por pessoas que trazem “este caráter não ético” para dentro da empresa, onde, aqui no Brasil pelo menos, encontram o ambiente favorável para executar atividades de forma não lícita, porque aqui é assim que se faz negócio.

Tanto isto é verdade que atualmente as empresas estão sendo bombardeadas pelo mercado para que tenham uma política e estrutura de compliance efetiva, que, de alguma forma, verifique se os gestores e colaboradores estão observando as normas pré-determinadas.

Isto somente é necessário, porque não existe a confiança de que os gestores e colaboradores observarão os limites normativos.  Gosto sempre de lembrar que compliance ou conformidade, em português, nada mais é do que uma atitude que as pessoas deveriam ter em observar de forma irrestrita as leis, normas regulamentos, políticas e/ou procedimentos – atitude que é inerente ao ser humano com caráter e valores éticos.

É triste, mas na realidade o tema ética nas empresas é o assunto menos importante na agenda dos executivos seniores. É um tema tratado somente de forma mecânica, mas sem efetivo comprometimento da alta gestão ao assunto.

Mas acredito que tudo que estamos vivenciando é o início de uma nova sociedade, um movimento que sem sobra de dúvidas chegou às organizações.

As empresas devem reconhecer que a solução para um mercado mais justo e ético depende dela. Que os fundamentos da governança, incluindo a ética, hoje tem valor no mercado, além do que, é uma solução efetiva para um negócio sustentável e perene.

O profissional que não tiver seu comportamento e atitudes baseadas em um sólido conceito de valores éticos, serão expurgados do mercado de trabalho. O mesmo acontecerá com as empresas, porque neste novo mercado, quem não estiver comprometido com as boas práticas de gestão, não sobreviverá.

*Eduardo Person Pardini – Sócio principal, responsável pelos projetos de governança, gestão de riscos, controles internos e auditoria interna da Crossover Consulting & Auditing. É diretor executivo do Internal Control institute – chapter Brasil, palestrante e instrutor do IIA Brasil.

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Sobre o autor

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