O INTERMINÁVEL DUELO ENTRE A CRASE E O VERBO PARTIR

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Por Marcelo Teixeira*

Atire a primeira gramática normativa aquele que nunca viu escrito “à partir”. É comum vermos tal expressão assim escrita; principalmente quando se trata de algum preço promocional. Exemplo: “Camisas à partir de R$ 29,90”.

            A crase é um fenômeno pouco compreendido por boa parte da população. Por isso, aparece com frequência onde não deveria. E o que é crase? Não é o nome do acento, como muitos julgam. Ele se chama acento grave. Crase é uma palavra de origem grega e significa fusão, junção. Em gramática, significa a fusão oral e escrita de dois sons vocálicos iguais e consecutivos. Preposição “a” mais artigo definido feminino “a” ou “as” é igual a “à” ou “às”. Quando não há essa fusão, não há crase. No caso de “a partir”, o “a” antes do verbo é somente preposição. Por isso, o correto é a partir.

            Quando o anúncio escrito “à partir” é feito à mão ou na impressora doméstica e colado na vitrine de uma loja popular, a gente releva. O duro é aguentar o “à partir” em campanhas publicitárias e sites de grandes empresas. É o caso da Gol Linhas Aéreas, que tascou um “à partir” na especificação do preço das passagens, e da joalheria Vivara, que lançou uma campanha de venda de relógios “à partir” de R$ 390,00. Aí, eu me pergunto quem foram os autores de tais estripulias ortográficas. Não importa se foram agências de publicidade ou empresas de construção de sites. Estão lidando com o idioma e fazendo material de divulgação de grandes empresas. Deveriam tomar o mínimo de cuidado.

            De nada adianta caprichar no visual, contratar modelos bonitos e descuidar da língua pátria. Infelizmente, acontece muito.

            Em tempo: o que vale para a partir vale para todo e qualquer verbo. O correto é a pagar, a receber, a contar e não “à pagar”, “à receber”, “à contar” etc.

*Marcelo Teixeira é jornalista e publicitário.

 

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