HARLEQUIN E O CLAMOR DO SEXO

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Uma das principais referências globais em romances para mulheres, a Harlequin Enterprises publica mensalmente cerca de 110 títulos inéditos, escritos por 1.200 autoras, traduzidos para 34 idiomas e comercializados em 114 países, incluindo o Brasil onde chegou em 2005 por meio de joint-venture com o Grupo Editorial Record. São mais de 7 bilhões de exemplares vendidos e, como em toda relação, é preciso por vezes apimentar um pouco. E Harlequin, sediada no Canadá, mesmo depois de comprada pela News Corp, de Ruppert Murdoch e hoje uma divisão da HarperCollins Publishers, recorreu à agência BBDO/Toronto para lembrar suas leitoras que continua a oferecer momentos de prazer e fantasia. Os filmes são a própria tradução dos desejos mais íntimos que despertam cowboys, militares, viajantes e aventureiros, enfim fantasias que as leitoras, muitas casadas, têm e as realizam na leitura como as que aparecem nos filmes.

 

Os filmes criados pela BBDO/Toronto são divertidos, de um se chega ao outro. As leitoras de séries famosas da Harlequin, como Sabrina, adoram essas fantasias. Não chegam à ousadia de “50 tons de cinza”, nem é isso o que buscam, querem mesmo essa fantasia de encontros, entregas a homens descritos como maravilhosos, potentes, poderosos como os apresentados nesses livros de fórmula simples e que também dão indicativos de viagens – Sabrina viaja até demais _ para lugares fantásticos, exóticos e até, vez por outra, uma ou outra receita gastronômica. O certo porém é que as personagens sempre acabam nos braços de belos e galantes, onde o clamor do sexo se faz e se realiza normalmente nas páginas finais, algumas vezes no meio com as recordações preenchendo e excitando a leitura. O filme que mostra o casal, provavelmente com ele assistindo alguma disputa esportiva, enquanto ela lê e viaja nos braços de um mariner, que singra os mares com total liberdade, é corpulento e belo é tudo o que satisfaz a consumidora padrão de Harlequin. Depois, é claro, ela vai encher de novo a vasilha de pipoca, trazer a esperada cerveja para o marido e dormir feliz, sonhando com a realização desse clamor do sexo e o desejo sobretudo do romance e da liberdade. Quem sabe agendar com o marido uma viagem pelo cenário que acabou de ler e talvez até comprar para ele uma roupa de mariner para esquentar a relação.

A fórmula usada por Harlequin faz sucesso desde 1949. Continua a fazer. Todos dependem de uma dose de fantasia a ser realizada. E Harlequin por meio da BBDO/Toronto quer esquentar a relação com suas consumidoras, antes que elas partam para outras leituras como as de “50 tons de cinza” e outra wibe diferente da que essa editora frequenta há 65 anos oferecendo fantasias. BBDO/Toronto esquentou um pouco mais, com uma dose extra de ousadia, mas nada diferente do que se pode ler nas páginas. Sabrina e as personagens da série já aprontaram muito, continuam prometendo novas aventuras para deleite de suas leitoras enquanto Nora Roberts e Barbara Delinsky continuarão a oferecer best-sellers pelo selo consagrados nas listas dos mais vendidos de jornais como The New York Times. De olho na modernidade, Harlequin desde 2012 também oferece e-books e transformou de carne e osso no ambiente virtual alguns desejados rapazes que,agora, parecem figurar nos comerciais criados BBDO/Toronto.

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